Mercados Financeiros

Petróleo sobe com ataques no Golfo e interrupções no abastecimento saudita

Os preços do petróleo prolongaram hoje, terça-feira, dia 15, a tendência de subida, impulsionados por relatos de novos ataques dos rebeldes Houthi contra a Arábia Saudita e por operações militares do Irão contra navios no Golfo.

O Brent, referência internacional para Novembro, valorizava 1,7%, para 107,48 dólares por barril, às 02:26 (hora de Nova Iorque). Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI), para entrega em Outubro, avançava 1,79%, para 103,20 dólares por barril.

A pressão sobre o mercado agravou-se depois de a Arábia Saudita ter encerrado o seu estratégico oleoduto Este-Oeste, que permite transportar petróleo evitando a passagem pelo estreito de Ormuz. A infra-estrutura foi danificada por drones lançados a partir do Iraque, aumentando os receios quanto a novas perturbações no abastecimento mundial numa altura em que o mercado já se encontra sob pressão.

Segundo a cadeia de televisão Al Jazeera, a coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen informou que 13 civis ficaram feridos ontem, segunda-feira, dia 14, na sequência de uma vaga de ataques com mísseis balísticos e drones lançada pelos Houthi contra território saudita.

Entretanto, as forças armadas iranianas anunciaram ter abatido um drone norte-americano avançado sobre o estreito de Ormuz, após uma série de operações de Teerão contra sistemas navais não tripulados dos Estados Unidos no Golfo.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou no domingo, dia 13, que os Estados Unidos poderão prosseguir a sua campanha contra o Irão e assumir o controlo do petróleo iraniano.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) rejeitou, entretanto, uma alegação do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão segundo a qual o petroleiro El Gaia, de bandeira do Panamá, teria atingido uma mina naval no estreito de Ormuz.

De acordo com o CENTCOM, o navio foi atingido por um míssil iraniano no mês passado, tendo ficado impossibilitado de operar.

Inflação sob pressão

A escalada da tensão no Golfo poderá também aumentar a pressão sobre os preços a nível mundial.

Komal Sri-Kumar, presidente da Sri-Kumar Global Strategies, afirmou à cadeia de televisão sul-africana CNBC, no programa Squawk Box Asia, que a inflação deverá acelerar devido aos ataques contra oleodutos e ao encerramento da infra-estrutura saudita que liga o Leste ao Oeste do país.

O economista acrescentou que a situação é agravada pela intensificação da guerra tarifária, o que deverá exercer uma pressão adicional sobre os preços e, consequentemente, sobre as taxas de juro das obrigações.

A combinação entre riscos geopolíticos, perturbações nas infra-estruturas petrolíferas e restrições ao transporte através do estreito de Ormuz mantém os mercados energéticos particularmente sensíveis a novos incidentes na região.

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