A empresa canadiana Almonty Industries assinou um acordo com o Governo do Ruanda para desenvolver e processar tungsténio no país, numa parceria que atribui ao Estado ruandês uma participação de 25% no projecto de minerais críticos.
O acordo, anunciado ontem, segunda-feira, dia 14, surge no âmbito de uma aproximação crescente entre os Estados Unidos e países africanos produtores de minerais considerados estratégicos para a indústria e a defesa. Segundo a Almonty, a parceria foi facilitada pelo Departamento de Estado norte-americano e está alinhada com o Quadro EUA-Ruanda para uma Prosperidade Económica Partilhada, estabelecido em 2025.
Ruanda fica com 25% do projecto
Ao abrigo do acordo, o Ruanda receberá uma participação de 25% na Almonty Rwanda Pty Ltd, uma sociedade criada para desenvolver o projecto, mediante a contribuição da concessão de exploração de tungsténio de Shyorongi e de uma licença de processamento mineral. A Almonty Industries ficará com os restantes 75% do empreendimento.
A parceria prevê inicialmente a aquisição de minério, pré-concentração e processamento de rejeitados provenientes de titulares de licenças já existentes, incluindo operadores mineiros de pequena escala. O material poderá ser exportado ou submetido a operações de valorização antes da construção de uma unidade de processamento de maior dimensão.
Numa fase posterior, o projecto deverá integrar uma unidade móvel de processamento de rejeitados e a exploração da concessão de Shyorongi, com uma área de 32 quilómetros quadrados, antes da eventual construção de uma instalação centralizada de processamento.
Washington procura reduzir dependência da China
O projecto enquadra-se numa estratégia mais ampla dos Estados Unidos e de outros países ocidentais para diversificar as cadeias de abastecimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China.
Washington tem vindo a aprofundar as relações económicas com países africanos ricos em recursos minerais, incluindo a República Democrática do Congo e o Ruanda, ao mesmo tempo que procura ampliar as relações de investimento com países como a Guiné e o Quénia.
O objectivo é assegurar fontes alternativas de minerais considerados essenciais para sectores como a indústria tecnológica, energia, aeroespacial e defesa. Nesse capítulo, otungsténio assume particular importância devido às suas propriedades físicas e à sua utilização em aplicações industriais e militares.
Ruanda procura aumentar valor acrescentado
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Ruanda é o único país africano entre os dez maiores produtores mundiais de tungsténio. Kigali pretende, contudo, ir além da simples extracção e exportação de minério, aumentando a capacidade nacional de processamento e de transformação dos recursos minerais.
A Almonty considera que a combinação entre a produção existente, o tratamento de rejeitados e a exploração da concessão de Shyorongi poderá criar uma base para o desenvolvimento de uma cadeia de valor mais integrada no país.
A empresa pretende, assim, reunir material proveniente de produtores já em actividade e de novas operações de exploração, utilizando inicialmente uma unidade móvel de processamento, antes de avançar para uma instalação de maior escala.
Novas regras norte-americanas aumentam importância estratégica
O acordo é anunciado numa altura em que os Estados Unidos se preparam para aplicar novas regras de aquisição no sector da defesa.
A partir de Janeiro de 2027, determinadas cadeias de fornecimento militares norte-americanas deverão cumprir requisitos de rastreabilidade do tungsténio, permitindo identificar a origem do mineral utilizado.
A medida deverá aumentar a pressão sobre empresas e fornecedores para garantir cadeias de abastecimento transparentes e diversificadas, reforçando o interesse ocidental em projectos localizados fora das principais zonas de produção e processamento controladas pela China.
Neste contexto, o projecto da Almonty no Ruanda poderá assumir uma importância que ultrapassa a dimensão do investimento mineiro, ao contribuir para a criação de uma fonte africana de tungsténio integrada em cadeias de abastecimento consideradas estratégicas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados.