Internacional

EUA querem ajudar Quénia a desenvolver indústria de minerais críticos para competir com a China

Os Estados Unidos estão interessados em ajudar o Quénia a desenvolver uma indústria de processamento de minerais críticos, numa altura em que Washington procura garantir maior acesso aos recursos minerais estratégicos de África e reforçar a concorrência com a China, revela a publicação ‘Business Insider Africa’, na sua edição electrónica.

A iniciativa coincide com a avaliação, pelo Quénia, das propostas para o desenvolvimento do jazigo de Mrima Hill, na zona costeira do país, uma reserva que poderá conter dezenas de milhares de milhões de dólares em terras raras e nióbio, um metal crítico utilizado no fabrico de equipamentos aeroespaciais.

“Os minerais críticos são uma prioridade máxima para o Presidente Donald Trump e para o Secretário de Estado Marco Rubio, e estamos prontos para trabalhar com o Quénia à medida que o país se torna um líder regional neste sector”, afirmou Frank Garcia, secretário-adjunto de Estado para África, citado pela Reuters, numa reunião da American Chamber of Commerce, organização que representa empresas norte-americanas no Quénia. “Estamos prontos para ajudar-vos a construir um sector mineiro transparente, que atraia empresas legítimas, respeite as comunidades e contribua para garantir as cadeias de abastecimento globais”, acrescentou. “Se levamos a sério as terras raras, a energia e uma América mais forte, devemos fazê-lo em parceria, e não sozinhos”, afirmou Garcia, à Reuters.

Chris Kulukundis, secretário-adjunto interino de Estado para a África Austral e para os minerais críticos, afirmou que o Quénia e os Estados Unidos chegaram a um consenso sobre o quadro adequado para promover o desenvolvimento do sector mineiro.“O processo de concurso para Mrima Hill está a avançar de forma transparente. Temos dois consórcios norte-americanos que acreditamos serem capazes, caso sejam bem-sucedidos e seleccionados, de desenvolver o projecto da forma correcta”, afirmou.

Kulukundis criticou ainda o modelo seguido por alguns concorrentes internacionais, afirmando que estes são eficientes a “retirar os minerais do solo, transportá-los rapidamente para o estrangeiro e captar todo o valor acrescentado longe das terras de onde os minerais são originários.”

Quénia dispõe de vários minerais estratégicos

O Quénia identificou reservas de vários minerais estratégicos, incluindo terras raras, nióbio, lítio, grafite, cobre e níquel.

A australiana RareX e a norte-americana Critical Metals Corp anunciaram, em Julho, que tinham sido seleccionadas para disputar os direitos de desenvolvimento de Mrima Hill.

Harry Kimtai, secretário principal do Ministério do Estado para a Mineração do Quénia, afirmou na reunião que existem seis empresas na lista, duas das quais norte-americanas. O Governo queniano ainda não divulgou, contudo, a lista final de empresas seleccionadas.

Em Junho, foi noticiado que o Quénia estava próximo de alcançar um acordo com os Estados Unidos no domínio dos minerais críticos, que permitiria o processamento interno de terras raras e de outros minerais estratégicos.

Durante a cimeira do G7, realizada nas margens do Lago Genebra, o Presidente queniano, William Ruto, revelou que as negociações com responsáveis norte-americanos estavam a avançar e que um acordo formal poderia ser concluído num futuro próximo. “Concordámos que os minerais serão processados no Quénia”, afirmou Ruto à Reuters.

Nova estratégia dos EUA para superar a China

A disputa dos Estados Unidos com a China pelo acesso aos recursos africanos, incluindo cobre, cobalto e outros minerais críticos, levou Washington a recorrer a acordos de aquisição futura da produção e a financiamento apoiado pelo Estado para se manter competitivo.

Os chamados acordos de offtake permitem a um país ou empresa obter o direito a uma parcela da produção de uma mina em troca de investimento ou de outro tipo de apoio.

Estes mecanismos permitem às empresas norte-americanas assegurar fornecimentos de longo prazo e reduzir os riscos associados a grandes operações mineiras, uma estratégia que há muito é utilizada por empresas estatais ou ligadas ao Estado chinês em vários países africanos.

Em Washington, o controlo ou o acesso garantido a estes recursos é cada vez mais encarado como uma questão de segurança nacional, associada à resiliência das cadeias de abastecimento e à transição energética, e não apenas como um objectivo comercial.

Para assegurar o acesso a estes recursos estratégicos, os Estados Unidos têm concentrado a atenção na Zâmbia, Guiné e República Democrática do Congo (RDC).

Washington está a avançar para acordos de offtake e outros mecanismos comerciais, como o acordo com a Mercuria e os acordos com a empresa mineira estatal congolesa Gécamines, procurando integrar a produção em cadeias de valor alinhadas com os interesses norte-americanos, em vez de colocar operadores dos EUA directamente em países considerados de elevado risco.

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