Economia

ANPG apresenta Plano Director do Gás com investimento de 70 mil milhões de dólares até 2050

Angola poderá necessitar de cerca de 70 mil milhões de dólares de investimento público e privado em infraestruturas de transporte e distribuição de gás até 2050, de acordo com o plano apresentado esta terça-feira, dia 8 de Setembro, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), durante a pré-conferência da Angola Oil & Gas (AOG) 2026, em Luanda, que antecede o arranque, amanhã, da conferência principal.

A projecção acompanha o crescimento previsto da procura interna de gás, que poderá passar de aproximadamente 30 milhões de pés cúbicos por dia, em 2025, para 500 milhões em 2050. Saleno Sebastião, chefe do Departamento da Direcção de Infraestruturas e Gás Natural da ANPG, explicou que o Plano Director do Gás assenta em quatro pilares — recursos de gás natural, infra-estruturas, mercado e enquadramento regulatório — e procura estabelecer a ligação entre a produção e os diferentes mercados de consumo.

A implementação está prevista em três fases. A primeira concentra-se em Cabinda, Soyo e Zaire, aproveitando activos já existentes como o Angola LNG e outras instalações de tratamento de gás. A segunda abrange Luanda, Cuanza-Sul e Benguela, incluindo infraestruturas de processamento, exportação de condensados e ligações ao Corredor do Lobito. Numa terceira etapa, a rede deverá avançar para o Sul do país, nomeadamente para o Namibe, onde estão a ser consideradas soluções de regaseificação capazes de responder à procura da mineração, da logística e de outras actividades industriais.

A estratégia identifica ainda a petroquímica, a produção de fertilizantes, a geração de electricidade, a siderurgia e os transportes como sectores que poderão sustentar o aumento do consumo interno de gás. Angola importa actualmente cerca de 140 mil toneladas de fertilizantes por ano, e a ANPG estuda também a possibilidade de converter centrais eléctricas actualmente movidas a gasóleo para gás natural. Além dos 70 mil milhões de dólares associados às infraestruturas de transporte e distribuição (midstream), a Agência aponta ainda para um investimento adicional de cerca de seis mil milhões de dólares no processamento de gás (downstream) e de 90 mil milhões de dólares no segmento de exploração e produção (upstream), a mobilizar ao longo dos próximos 25 a 30 anos.

O gás foi um dos temas centrais da jornada de pré-conferência, que colocou também em discussão a segurança do abastecimento de combustíveis, a refinação e a exploração através de novas tecnologias. Segundo dados apresentados no evento, as operações das refinarias da África Subsariana deverão atingir cerca de 1,3 milhões de barris por dia em 2026, ainda que a região continue a enfrentar um défice estimado em 65 milhões de toneladas de produtos refinados, num contexto de perturbações nas rotas comerciais internacionais.

Na área da exploração, Alex Cooke, responsável de Geofísica e geofísico principal da empresa SLB, apresentou a utilização combinada de inteligência artificial, inversão de forma de onda completa e nós instalados no fundo oceânico, tecnologias que têm permitido melhorar o conhecimento da subsuperfície angolana e aumentar o aproveitamento dos dados sísmicos já existentes.

A jornada ficou ainda marcada pela actualização do estado do projecto Kaminho, cujo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência) entrou na segunda e última fase de doca seca, na China. O projecto, avaliado em cerca de seis mil milhões de dólares, atingiu recentemente 50% de execução, prevendo-se a deslocação da unidade para Angola em 2027, antes do arranque da produção, previsto para 2028. A FPSO terá capacidade para produzir aproximadamente 70 mil barris de petróleo por dia e para armazenar cerca de 1,8 milhões de barris.

Conferência principal arranca amanhã

A sétima edição da AOG, subordinada ao lema “Investir no Futuro de Angola”, entra amanhã, dia 9 de Setembro, no primeiro dia da conferência principal, com uma agenda centrada no investimento, na produção, no financiamento, na exploração em águas profundas e no desenvolvimento de novos projectos no sector petrolífero e de gás angolano.

O programa prevê ainda momentos de assinatura de acordos, a abertura oficial da exposição paralela ao evento, e sessões dedicadas ao retorno do investimento em Angola, ao papel das instituições financeiras no sector, à evolução da exploração offshore e às condições necessárias para sustentar a produção e acelerar a execução de projectos.

Ao longo dos dois dias de conferência, estarão ainda em análise temas como o gás natural, a refinação, o conteúdo local, o acesso das empresas nacionais ao financiamento, a aplicação de inteligência artificial às operações do sector e o desmantelamento de activos petrolíferos offshore.

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