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Boeing prevê que frota de aviões de África duplique nas próximas duas décadas

Angola também está a apostar na modernização da sua companhia de bandeira. A TAAG Linhas Aéreas de Angola tem em curso um processo de renovação de frota assente sobretudo em aeronaves Boeing, tendo já recebido quatro unidades do Boeing 787 Dreamliner — duas na versão 787-9 e duas na versão 787-10 —, a última das quais baptizada “Deolinda Rodrigues”.

Actualmente com uma frota de cerca de 33 aeronaves, que inclui ainda Boeing 777-300ER, Boeing 737 e aviões Airbus A220, a TAAG obteve recentemente autorização da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) para operar o 787-9 em voos para a Europa, com destaque para a rota Luanda-Lisboa. A companhia tem ainda garantida a chegada de mais Boeing 787 Dreamliner e de vários Airbus A220-300 até 2027, no âmbito de um plano de expansão que prevê a abertura de novas rotas para destinos como China, Reino Unido, Acra, Abidjão, Harare, Lusaca e Durban.

A fabricante norte-americana Boeing prevê que a frota comercial de aviões em África mais do que duplique nas próximas duas décadas, impulsionada por uma população jovem e cada vez mais urbana, que deverá alimentar a procura por viagens aéreas dentro do continente e para o Médio Oriente.

Segundo a Previsão Anual do Mercado Comercial da Boeing, divulgada esta semana, a frota africana deverá crescer dos actuais 755 aviões, em 2025, para 1.625 até 2045, o que exigirá a entrega de 1.165 novas aeronaves ao longo dos próximos vinte anos. Os aviões de corredor único, utilizados sobretudo em rotas domésticas e regionais, deverão representar 870 dessas entregas — cerca de três quartos do total —, prevendo-se ainda a entrega de 240 aeronaves de fuselagem larga, tipicamente usadas em rotas internacionais de longo curso, e de 15 aviões de carga.

O crescimento da frota será suportado por um aumento anual de 6,5% no tráfego de passageiros dentro do continente, até 2045. Já o tráfego entre África e o Médio Oriente deverá crescer 7,1% ao ano, a taxa mais rápida entre os principais mercados de viagem da região, enquanto o tráfego entre África e a Europa deverá expandir-se a um ritmo mais moderado, de 3,4% ao ano — mercado que, segundo a Boeing, deverá manter-se como o maior mercado internacional de passageiros para o continente até 2045, impulsionado por laços económicos, culturais e familiares, bem como pelo crescimento do investimento turístico.

A frota africana de aviões de carga deverá também crescer, passando de 60 para 150 aeronaves, à medida que se expandem os sectores da logística, do comércio electrónico e das exportações. A Boeing estima ainda que o mercado africano de serviços de aviação — que inclui manutenção, reparação, revisão, modificações e soluções digitais — valha 140 mil milhões de dólares entre 2026 e 2045, sendo necessários cerca de 75 mil novos profissionais do sector, incluindo 22 mil pilotos, 25 mil técnicos e 28 mil tripulantes de cabine.

Vários países e companhias africanas preparam-se já para responder a esta procura crescente. Na Etiópia, a Ethiopian Airlines iniciou a construção de um novo aeroporto avaliado em 12,5 mil milhões de dólares, na cidade de Bishoftu, que deverá tornar-se o maior aeroporto do continente e o primeiro verdadeiro “mega-hub” africano, com capacidade para movimentar mais de 100 milhões de passageiros por ano. A primeira fase do projecto, financiado em 30% pela companhia aérea e o remanescente por instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento e outros parceiros do Médio Oriente, Europa, China e Estados Unidos, deverá entrar em funcionamento em 2030.

Já a Somália prepara-se para retomar, este mês, os voos da sua companhia aérea de bandeira, a Somali Airlines, suspensos há 35 anos, desde que o país mergulhou na guerra civil, em 1991. O regresso da transportadora, equipada com dois novos Airbus A320, surge como um sinal de maior estabilidade e de renovada aposta na reconstrução do sector da aviação no país.

Apesar destes avanços, o continente africano continua a ser um dos espaços aéreos menos bem conectados do mundo, obrigando frequentemente os passageiros a fazer escala fora de África mesmo quando viajam entre países da mesma região.

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