A Ohuasi Investment vai representar, sozinha, o mercado de capitais angolano num painel do UK-Angola Trade & Investment Forum, que se realiza, na próxima semana (terça-feira, 9 de Setembro), em Londres — um dos encontros que Angola e o Reino Unido têm vindo a promover nos últimos anos para tentar aproximar capital britânico das oportunidades de investimento no país.
O tema do painel diz tudo sobre a mensagem que a gestora angolana quer levar à capital britânica: “Angola como oportunidade financeira para investidores internacionais”. A ideia central é a de que o mercado de capitais angolano já deixou de ser apenas uma promessa e passou a oferecer, na prática, instituições, produtos e resultados capazes de responder às exigências de quem investe lá fora — incluindo empresas britânicas já instaladas no país, um público que a Ohuasi diz querer também abordar directamente.
Fundada em 2022 e licenciada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC) como sociedade gestora de organismos de investimento colectivo em 2023, a Ohuasi apresenta-se hoje com cerca de 200 milhões de dólares em activos sob gestão e um capital social de 3.220 milhões de kwanzas — o mais elevado entre as gestoras que actualmente operam no mercado angolano. O seu produto mais visível é o Fundo Rendimento Mais, aberto à subscrição pública com um investimento mínimo de 100 mil kwanzas, que a empresa apresenta com uma rentabilidade anualizada de 50,34%.
Um mercado ainda pequeno, mas em expansão visível
O momento escolhido pela Ohuasi para ir a Londres não é acidental. O mercado de capitais angolano tem vivido, ao longo de 2026, o seu período de maior dinamismo desde que a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) começou a funcionar: o volume negociado no primeiro trimestre do ano cresceu quase 65% face ao período homólogo, e a entrada em bolsa da Unitel, em Julho — a maior oferta pública inicial já feita no país, avaliada em 328 milhões de dólares —, deu um novo fôlego à negociação de acções, historicamente residual face ao mercado de dívida pública.
Ainda assim, trata-se de um mercado que continua a partir de uma base muito reduzida: a BODIVA lista actualmente meia dúzia de empresas — BAI, BFA, BCGA, ENSA, a própria BODIVA e agora a Unitel —, não dispõe ainda de um índice bolsista de referência, e as acções da Unitel já mostraram, nas primeiras semanas de negociação, oscilações diárias de mais de 25%, um sinal da volatilidade que caracteriza um mercado pouco líquido e pouco diversificado. Estão ainda previstas para os próximos anos, no âmbito do programa de privatizações do Estado (PROPRIV), a entrada em bolsa de participações na Sonangol e na Endiama e a listagem do Standard Bank Angola — processos que se têm arrastado além dos prazos inicialmente anunciados.
É, portanto, um mercado em transformação real, mas ainda longe da maturidade dos mercados a que normalmente concorre pela atenção do investidor internacional — e é precisamente essa distância entre potencial e escala actual que a presença da Ohuasi em Londres tenta, de alguma forma, encurtar.
O contexto do fórum
O UK-Angola Trade & Investment Forum é promovido no âmbito da cooperação entre os governos de Angola e do Reino Unido, em parceria com a DMA Invest — organização britânica especializada em fóruns de comércio e investimento com mercados emergentes, que promove iniciativas semelhantes com dezenas de outros países — e a AIPEX, a agência angolana de promoção de investimento e exportações. O encontro deverá juntar governantes, investidores institucionais, instituições financeiras de desenvolvimento e empresários de ambos os países, numa tentativa de dar seguimento aos compromissos de aproximação económica entre Luanda e Londres dos últimos anos.
Além da participação no painel, a agenda da Ohuasi em Londres inclui reuniões com instituições financeiras britânicas, no que a gestora angolana descreve como um esforço para mobilizar investimento estrangeiro para o país — um objectivo que, à luz dos números actuais do mercado angolano, continua a depender mais da capacidade de conversão destes encontros em compromissos concretos do que da mensagem, em si, que se leva a Londres.