A transição energética está a redefinir o futuro do sector energético africano e coloca Angola perante o desafio de conciliar as suas necessidades de desenvolvimento com as mudanças em curso no sistema energético mundial. O tema será um dos eixos centrais da sétima edição da Conferência e Exposição Angola Oil & Gas (AOG) 2026, que se realiza nos dias 9 e 10 de Setembro, em Luanda, sob o lema “Investir no Futuro de Angola”.
O encontro reunirá representantes do sector para discutir os caminhos e oportunidades para uma indústria mais sustentável, segura e competitiva, num momento em que o país procura novas respostas para garantir energia, reduzir emissões e tornar as cadeias de valor mais competitivas. A conferência promoverá o diálogo entre empresas nacionais e internacionais, instituições públicas, sector financeiro e representantes de outras áreas da economia, com o objectivo de reforçar o papel da indústria de petróleo e gás no desenvolvimento económico e na criação de oportunidades para empresas e profissionais angolanos.
Para Luís Conde, director de Projectos da Energy Capital & Power e responsável pela conferência, a transição energética é uma realidade que exige preparação, aprendizagem e adaptação. Embora as grandes empresas internacionais já incorporem esta agenda nas suas estratégias, Angola continua a construir alternativas que respondam às suas necessidades energéticas. “A necessidade de desenvolver outras opções energéticas irá colocar-se mais cedo ou mais tarde”, afirma, defendendo uma abordagem gradual, apoiada na evolução tecnológica e na capacidade de adaptação do sector.
A segurança será igualmente abordada durante a conferência, tanto na vertente operacional como nas condições de trabalho. Segundo Luís Conde, a indústria petrolífera e de gás tem vindo a desenvolver normas destinadas a reduzir riscos e a proteger os trabalhadores. “Este ano, pretendemos contribuir para a partilha de conhecimento, experiências e boas práticas entre empresas e profissionais do sector e promover uma indústria mais profissional, segura e preparada para responder aos desafios futuros”, sublinha.
Conteúdo local como factor de crescimento
O conteúdo local será outro dos eixos da Angola Oil & Gas 2026. As sessões dedicadas ao tema irão analisar a participação das empresas angolanas na cadeia de fornecimento da indústria petrolífera e as condições necessárias para aumentar a sua capacidade operacional.
De acordo com Luís Conde, esta será uma das áreas com maior presença na conferência, acompanhando a evolução das empresas nacionais e o seu potencial para alargar a participação nos mercados nacional e internacional. “A indústria petrolífera tem um impacto que ultrapassa a exploração e a produção de petróleo, envolvendo sectores como a banca, a energia, a indústria automóvel, a alimentação, o vestuário e a prestação de serviços especializados”, sustenta.
A aproximação entre as empresas nacionais e o sector financeiro será também incentivada, perante a necessidade de facilitar o acesso a financiamento, linhas de crédito e outros instrumentos. O objetcivo é permitir que as empresas angolanas reforcem a sua capacidade operacional, concorram no mercado e explorem, de forma progressiva, oportunidades de internacionalização.
Mais de três mil delegados de 40 países já confirmados
Na sua sétima edição, a Angola Oil & Gas mantém-se como uma das principais plataformas de encontro do sector energético em Angola. A edição de 2026 conta já com mais de 25 empresas expositoras e ultrapassou os três mil delegados inscritos, provenientes de mais de 40 países e em representação de mais de 450 organizações — números que colocam este ano a conferência entre as maiores edições de sempre do evento.
A exposição integra empresas de diferentes dimensões e áreas de atividade, entre as quais Sonangol, TotalEnergies, Cabinda Refinery, Azule Energy, Chevron, ExxonMobil, Angola LNG, Banco Sol, BFA, ACREP, ETU Energies, BCS, Shell Trading & Shipping, Africa Finance Corporation e NOV. A participação de empresas nacionais e internacionais permitirá estabelecer contactos e identificar oportunidades de cooperação e negócio.
O evento surge num momento particularmente favorável para o sector: Angola tem em carteira projectos petrolíferos avaliados em cerca de 70 mil milhões de dólares, e o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, deverá marcar presença na conferência, num ano em que o país regista marcos relevantes na produção — dos quais se destaca o arranque da produção de gás não associado no campo de Quiluma, integrado no primeiro projecto deste tipo em Angola.
Com uma programação composta por sessões estratégicas e técnicas, a AOG 2026 promoverá o debate sobre o futuro da indústria angolana de petróleo e gás, a identificação de oportunidades de investimento e negócio e o contacto entre investidores, empresas e decisores. A exposição incluirá ainda tecnologias e soluções apresentadas por mais de 50 fornecedores de serviços e tecnologia.