O chefe de Estado, João Lourenço, endereçou esta quinta-feira uma mensagem ao Presidente do Nepal, Ram Chandra Poudel, “na sequência da grave ocorrência (…) que deixou um rasto de mortes e destruição” no país, na quarta-feira, avançou o Gabinete da Presidência da República de Angola.
Na mensagem, João Lourenço refere que tem “acompanhado com bastante pesar a situação difícil” causada por uma enxurrada devastadora, com perdas humanas e materiais avultadas. O chefe de Estado angolano apresenta ao povo e às autoridades nepalesas “profunda solidariedade nesta hora difícil”. “Sabemos que as estruturas competentes do vosso país têm socorrido e prestado a ajuda necessária às vítimas e acreditamos, por isso, que apesar da dimensão da tragédia, conseguirão levar algum conforto aos sinistrados e suas famílias”, lê-se na mensagem, que termina com a expressão da amizade e simpatia de Angola “neste momento de grandes provações a que o povo nepalês faz face”.
Angola junta-se assim a uma vaga de mensagens de solidariedade de líderes de todo o mundo, depois de a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete ter sido atingida por uma inundação súbita provocada pelo colapso de um glaciar, que arrastou lama, gelo e detritos sobre várias comunidades no distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, e na prefeitura chinesa de Shigatse.
Balanço de vítimas continua a agravar-se
Segundo o último balanço provisório das autoridades nepalesas conhecido esta quinta-feira, pelo menos 392 pessoas morreram e cerca de 1.400 estão dadas como desaparecidas na sequência da enxurrada. O número de mortos, no entanto, tem vindo a subir à medida que avançam as operações de busca: fontes mais recentes já apontam para pelo menos 469 vítimas mortais confirmadas, mantendo-se a cifra de desaparecidos.
Bairros inteiros estão soterrados sob a lama, os rios encontram-se cheios de detritos e esgotos, e falta água potável na rede de distribuição em várias zonas afetadas. Segundo estimativas das autoridades nepalesas, quase 40 mil pessoas necessitam de ajuda de emergência em matéria de higiene e purificação de água, prevendo-se ainda a distribuição de mais de três mil kits de higiene pessoal e cerca de quatro mil kits de apoio para crianças com menos de cinco anos.
Acesso às zonas mais afectadas continua a ser o maior entrave
A coordenadora residente das Nações Unidas no Nepal, Lila Pieters Yahia, identificou o acesso às zonas mais atingidas como um dos principais entraves à resposta humanitária, uma vez que a destruição de pontes e estradas está a dificultar a chegada às comunidades mais afetadas — há, inclusivamente, pelo menos um município que continua totalmente incomunicável por via terrestre, obrigando a que a ajuda seja entregue por helicóptero. Segundo a responsável da ONU, o governo nepalês já mobilizou mais de 13 mil efetivos de segurança em três distritos para as operações de resgate, prevendo ainda um risco adicional de cheias no rio Bhote Koshi, pelo que pediu à população, trabalhadores humanitários e turistas que se afastem das margens dos rios e procurem zonas seguras.
A nível internacional, a resposta tem-se intensificado nos últimos dias: a Índia enviou dez toneladas de ajuda humanitária por via aérea, incluindo tendas, cobertores e kits de higiene; a China aprovou apoios financeiros de emergência e coordenou comboios de abastecimento para os distritos fronteiriços do norte; a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho libertou 1 milhão de francos suíços do seu Fundo de Emergência para Resposta a Desastres; e os Estados Unidos comprometeram-se com 500 mil dólares em ajuda imediata, além do envio de especialistas em resposta a catástrofes.