A refinaria de petróleo do Grupo Dangote prepara uma oferta pública inicial de acções (IPO, sigla em inglês) prevista para Outubro, que poderá tornar-se a maior operação do género em África, com uma estratégia centrada na participação de investidores locais, ou seja, nigerianos. A empresa não prevê, contudo, uma cotação internacional nos próximos três anos.
Em declarações à agência Reuters, o presidente executivo da Dangote Petroleum Refinery, David Bird, afirmou que o objectivo da operação é permitir que os nigerianos participem directamente no crescimento da empresa.
A refinaria apresentou à Comissão de Valores Mobiliários da Nigéria um pedido para realizar um IPO de até 5 mil milhões de dólares, embora o montante definitivo ainda não tenha sido estabelecido, segundo uma fonte familiarizada com o processo.
“Queremos realmente promover a participação”, afirmou Bird, acrescentando que o mandato da operação é fazer do IPO uma oferta “do povo”.
Cotação internacional só daqui a três anos
Segundo o CEO, a empresa pretende acumular pelo menos três anos de produção e desempenho financeiro comprovados antes de avançar para uma eventual cotação numa bolsa estrangeira. Uma operação internacional poderia permitir à refinaria obter uma valorização mais elevada, sendo Londres apontada como uma das possíveis praças para uma futura cotação internacional.
Bird recusou, contudo, comentar o valor da oferta ou a avaliação da empresa. Uma fonte indicou, no entanto, que a Dangote poderá considerar os 2,5 mil milhões de dólares captados numa colocação privada realizada em Julho, operação que avaliou a refinaria em cerca de 40 mil milhões de dólares.
Forte procura dos investidores
A refinaria, propriedade do empresário nigeriano Aliko Dangote – o homem mais rico de África de acordo com a lista da ‘Forbes Africa Billionaires 2026’ com uma fortuna estimada em 28,5 mil milhões de USD – tornou-se um dos principais beneficiários das perturbações provocadas pela guerra entre o Irão e Israel, ao aumentar as vendas de combustível para aviação a vários mercados africanos e à Europa Ocidental, numa altura em que os compradores procuravam fontes alternativas de abastecimento.
De acordo com David Bird, a refinaria tornou-se, em Junho e Julho, o maior fornecedor de combustível para aviação da Europa.
O responsável afirmou ainda que os preparativos para o IPO decorrem dentro do calendário previsto e que o interesse dos investidores tem sido elevado, tanto durante a fase de apresentação da operação ao mercado como na colocação privada de Julho.
A Africa Finance Corporation (AFC) anunciou, por sua vez, que liderou um grupo de investidores estratégicos na colocação privada. A operação foi 3,7 vezes sobre subscrita, tendo atraído forte procura por parte de investidores institucionais africanos e internacionais.
Bird considera que a refinaria apresenta vantagens competitivas face a activos de refinação nos Estados Unidos, nomeadamente pelo acesso ao crude produzido localmente, pela forte procura interna e pelo elevado nível de integração das suas operações.
Capacidade deverá duplicar
A Dangote pretende também duplicar a capacidade de refinação da unidade, passando dos actuais níveis para 1,4 milhões de barris/dia nos próximos três anos.
O investimento será financiado parcialmente através do IPO e de recurso a dívida. Segundo Bird, o custo da expansão será significativamente inferior aos cerca de 20 mil milhões de dólares investidos na construção da refinaria original.
O executivo considera que existe um amplo potencial de crescimento no continente africano, que continua estruturalmente dependente de importações de combustíveis refinados e produtos petroquímicos.
A refinaria da Dangote já assegura a maior parte da procura de gasolina e gasóleo da Nigéria e cobre a totalidade das necessidades nacionais de combustível para aviação, reforçando o seu papel estratégico no mercado energético do país.