A execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano fechou o segundo trimestre de 2026 com a arrecadação de 9,85 biliões de Kz, um salto de 66% face ao período homólogo de 2025 (5,93 biliões) e um acréscimo de 5,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano (9,36 biliões), de acordo com o Relatório de Execução Orçamental do II Trimestre. O desempenho foi impulsionado sobretudo pela receita petrolífera, que atingiu 3,04 biliões de Kz, mais 21% do que no mesmo trimestre do ano passado, beneficiando da cotação média do Brent em 102 USD por barril, muito acima do pressuposto orçamental de 61 USD.
Este vigor na captação de recursos permitiu ao Estado manter o saldo corrente em terreno positivo, com um superavit de 753,9 mil milhões de Kz, o que demonstra que as receitas correntes (5,41 biliões) foram suficientes para cobrir as despesas correntes (4,66 biliões) do período.
Despesa global superior gera défice orçamental de 396 mil milhões de Kz
Apesar do robusto crescimento da receita, o total de despesas realizadas no trimestre atingiu 10,24 biliões de Kz, um aumento de 59% face ao II trimestre de 2025. Este valor reflecte, em grande medida, o esforço do Executivo na amortização de passivos, as despesas de capital financeiro (amortizações da dívida) somaram 4,04 biliões de Kz, e os encargos financeiros totais (juros e amortizações) consumiram 5,70 biliões, um crescimento de 123% homólogo.
Com a despesa a superar a receita em 396,39 mil milhões de Kz, o resultado orçamental do período foi deficitário. Contudo, importa salientar que esse défice é coberto por operações de financiamento, internas e externas, captadas no montante de 4,43 biliões de Kz, que geraram um saldo líquido de financiamento positivo de 441,5 mil milhões de Kz após o pagamento das amortizações.
Dívida pública ultrapassa 70 biliões, mas Governo acelera regularização de passivos
O stock da dívida pública (Governo + empresas públicas) situou-se em 70,24 biliões de Kz (76,97 mil milhões de USD) no final de Junho, um aumento de 7% face ao trimestre anterior. Desse total, 94% corresponde à dívida governamental (65,75 biliões), com 71% em moeda externa.
O Governo tem utilizado o excedente gerado pelo preço do petróleo acima do orçamentado para, prioritariamente, amortecer o passivo, tanto no serviço da dívida (2,54 biliões em juros e amortizações internas e 3,31 biliões em serviço externo) como na regularização de atrasados a fornecedores, num movimento que sinaliza disciplina fiscal e reforço da credibilidade perante os mercados.