Mercados Financeiros

Ouro recupera terreno e volta a aproximar-se dos máximos históricos

O preço do ouro voltou a ganhar força nos mercados internacionais, recuperando parte das perdas registadas após o máximo histórico alcançado no início do ano, num movimento apoiado pela procura por activos de refúgio, pelas expectativas em torno das taxas de juro nos Estados Unidos e pelas tensões geopolíticas.

A cotação do metal precioso atingiu esta semana o nível mais elevado em cerca de nove semanas, numa altura em que os investidores acompanham de perto os novos dados sobre a inflação norte-americana e procuram antecipar os próximos passos da Reserva Federal (Fed).

Depois de ter ultrapassado os 5.400 dólares por onça no início de 2026, o ouro sofreu uma correcção significativa. Contudo, a tendência voltou a inverter-se nas últimas semanas, com o metal a beneficiar de uma combinação de factores que continuam a sustentar a procura.

Entre os principais elementos está a expectativa de uma eventual redução das taxas de juro nos Estados Unidos. Taxas mais baixas tendem a beneficiar o ouro, uma vez que reduzem o custo de oportunidade associado à posse de um activo que não paga juros.

O comportamento do dólar também continua a ser determinante. Uma moeda norte-americana mais fraca torna o ouro, cotado em dólares, relativamente mais barato para investidores que utilizam outras moedas, contribuindo para aumentar a procura.

Tensões geopolíticas sustentam procura

A instabilidade geopolítica constitui outro factor de suporte à cotação. Em períodos de maior incerteza económica ou política, os investidores tendem a procurar activos considerados mais seguros, entre os quais o ouro.

As compras realizadas pelos bancos centrais continuam igualmente a representar um importante suporte estrutural para o mercado. O aumento das reservas oficiais de ouro nos últimos anos ajudou a reforçar a procura pelo metal precioso e a reduzir a dependência de alguns países face às reservas denominadas em dólares.

Um inquérito do World Gold Council mostra que a grande maioria dos bancos centrais consultados espera aumentar as suas reservas de ouro nos próximos 12 meses, sinalizando que a procura institucional deverá continuar a desempenhar um papel importante no mercado.

Analistas divididos sobre próximos máximos

As perspectivas para os próximos meses permanecem, contudo, divergentes.

Algumas instituições financeiras mantêm uma visão bastante optimista e admitem que o ouro poderá voltar a testar níveis próximos dos máximos históricos. A J.P. Morgan, por exemplo, considera possível que a cotação alcance os 6.000 dólares por onça até ao final de 2026, enquanto a UBS aponta para valores na ordem dos 5.000 dólares durante o primeiro semestre de 2027.

Outras instituições adoptam uma posição mais cautelosa, considerando que a força do dólar, a manutenção de taxas de juro elevadas durante mais tempo e uma eventual redução dos fluxos para fundos negociados em bolsa (ETF) poderão limitar novas subidas.

Apesar dessas diferenças, o ouro continua a apresentar uma posição privilegiada entre os activos procurados pelos investidores para protecção contra a inflação, riscos geopolíticos e turbulência nos mercados financeiros.

A evolução das taxas de juro norte-americanas, do dólar, das compras dos bancos centrais e das tensões internacionais deverá, assim, determinar se a actual recuperação do ouro será apenas temporária ou o início de uma nova fase de valorização capaz de levar o metal precioso novamente a máximos históricos

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