No dia em que milhões de pessoas, em especial na Europa, mas não, só vão estar de olhos postos no céu, para ver o eclipse total do Sol, fomos pesquisar episódios que associassem eclipses com mercados. E há notícia. Os astros não afectam os mercados, mas sim a atenção dos homens. E isso, a negociação.
Conheça três histórias curiosas.
Em 1963, Nova Iorque viveu um eclipse solar parcial que coincidiu com o horário de negociação. O impacto não veio dos astros, mas da sociologia: os traders abandonaram os balcões para ver o fenómeno. O volume caiu, a liquidez evaporou e alguns índices recuaram ligeiramente. No dia seguinte, jornais atribuíram a queda ao “efeito do eclipse”, como se o espaço tivesse afectado os preços. Na verdade, foi apenas gente a olhar para o céu.
O estudo académico que se gerou um meme
Décadas depois, dois economistas – Anna Krivelyova e Cesare Robotti -decidiram testar se eclipses influenciavam os retornos de capital. Sem grande sucesso. O resultado um paper (“Playing the Field: Geomagnetic Storms and the Stock Market”), estudo que se tornou piada entre analistas: “Comprar quando há sol, vender quando há lua.”
Anna Krivelyova e Cesare Robotti
Eles publicaram o paper “Playing the Field: Geomagnetic Storms and the Stock Market” (Federal Reserve Bank of Atlanta, 2003), que analisava efeitos de fenómenos celestes sobre mercados — incluindo eclipses como parte do contexto de “sentiment effects”.
Europa, 1999: traders na rua de novo
No eclipse total de 1999, várias bolsas europeias reportaram quedas no volume. A explicação oficial falava em “interrupções operacionais”. A real? Os traders estavam na rua, com óculos de papel, a tirar fotografias. A astronomia não mexeu nos preços — a curiosidade humana sim. Mais uma vez!