Mercados Financeiros

BFA fecha primeiro semestre de 2026 com lucro de 117,3 mil milhões de kwanzas

O Banco de Fomento Angola (BFA) encerrou o primeiro semestre de 2026 com um resultado líquido de 117,3 mil milhões de kwanzas, um crescimento de cerca de 1,6% face aos 115,5 mil milhões de kwanzas registados no período homólogo de 2025.

O desempenho mantém o BFA entre os bancos mais rentáveis do sistema financeiro angolano e reflecte, sobretudo, a evolução positiva da margem financeira e da margem complementar, que cresceram 14,7% e 32,5%, respectivamente, segundo os dados divulgados sobre as contas do primeiro semestre.

A evolução do lucro ocorre num contexto de expansão da actividade bancária e de reforço dos recursos captados junto dos clientes. Os recursos de clientes atingiram cerca de 3,46 biliões de kwanzas, traduzindo um crescimento de 7,6%, de acordo com os dados disponíveis sobre o desempenho semestral do banco.

Margem financeira sustenta crescimento

A margem financeira continuou a ser um dos principais motores da actividade do BFA. O crescimento de 14,7% reflecte a capacidade do banco de aumentar os proveitos associados à sua actividade de intermediação financeira, num período marcado pela manutenção de taxas de juro elevadas e por uma maior procura de aplicações financeiras.

A margem complementar apresentou, por sua vez, uma expansão mais expressiva, de 32,5%, contribuindo para compensar a pressão sobre outros componentes da actividade e para sustentar o crescimento do resultado líquido.

No primeiro trimestre, o BFA já tinha registado uma evolução positiva da margem financeira, que cresceu 16,9% em termos homólogos, para 91,5 mil milhões de kwanzas. O produto bancário aumentou 10,3%, para 114,9 mil milhões de kwanzas, embora o resultado líquido trimestral tenha recuado 9,9%, para 58 mil milhões de kwanzas, devido, entre outros factores, ao aumento dos custos de estrutura e das imparidades.

Recursos de clientes ultrapassam 3,4 biliões

Do lado do passivo, a captação de recursos continua a representar uma das principais forças do BFA. Os depósitos e outros recursos de clientes atingiram aproximadamente 3,46 biliões de kwanzas no final do primeiro semestre, mais 7,6% do que no período comparável.

A evolução dos depósitos ocorre depois de o banco ter reforçado a oferta de produtos de poupança. Em Maio, o BFA anunciou novos depósitos a prazo, incluindo produtos com maturidade de 90 dias e taxas de juro de 15% e 15,5%, respectivamente.

Solidez financeira mantém-se elevada

A evolução dos resultados é acompanhada por indicadores de solvabilidade considerados confortáveis. No final do primeiro trimestre, o rácio de fundos próprios regulamentares do BFA situava-se em 39%, muito acima do mínimo regulamentar, enquanto os capitais próprios e equiparados ascendiam a 736,9 mil milhões de kwanzas.

No mesmo período, o activo líquido total alcançava 4,37 biliões de kwanzas, depois de crescer 2,2% face ao final de 2025. A evolução do balanço foi influenciada sobretudo pelo aumento dos investimentos e activos financeiros, com destaque para a aquisição de títulos do Tesouro em moeda nacional.

Lucro mantém trajectória de crescimento

O resultado do primeiro semestre de 2026 representa uma ligeira melhoria face ao mesmo período de 2025, quando o BFA registou um lucro de 115,5 mil milhões de kwanzas, mais 29% do que os 89,5 mil milhões alcançados em Junho de 2024.

Em 2025, o crescimento do resultado tinha sido sustentado pelo aumento de 28,2% do produto bancário, impulsionado pelo crescimento de 21,2% da margem financeira e de 103,7% dos resultados cambiais.

Apesar de o crescimento do lucro em 2026 ser mais moderado, os números apontam para a manutenção de uma elevada capacidade de geração de resultados, apoiada pelo crescimento da margem financeira, pela expansão da margem complementar e pelo aumento dos recursos de clientes.

O desempenho do primeiro semestre surge ainda no primeiro ano completo após a entrada do BFA no mercado de capitais angolano. Em Setembro de 2025, a Oferta Pública de Venda de 29,75% das acções do banco registou uma procura equivalente a 506,37% da oferta, tendo sido arrecadados 220,9 mil milhões de kwanzas.

Com estes resultados, o BFA mantém uma posição de destaque no sistema bancário angolano, combinando crescimento dos recursos, elevada solvabilidade e uma capacidade de geração de resultados que permanece positiva, apesar da maior pressão dos custos e das imparidades registada ao longo do primeiro trimestre.

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