Bilionário autorizou o seu super PAC a gastar até 120 milhões de dólares nas eleições intercalares de Novembro, reforçando ainda mais a vantagem financeira dos Republicanos sobre os Democratas
Elon Musk, um ano depois de manifestar profunda frustração com o Partido Republicano e de ameaçar criar um terceiro partido, parece ter regressado às fileiras republicanas e prepara-se para gastar avultadas somas nas eleições intercalares (midterms) de Novembro, para ajudar candidatos do Partido Republicano.
Musk, o homem mais rico do mundo, autorizou o seu super PAC a gastar entre 100 e 120 milhões de dólares num novo programa de mobilização eleitoral em, pelo menos, oito estados, para ajudar a eleger republicanos em Novembro, segundo o New York Times, citando duas pessoas com conhecimento directo do plano.
Um reforço na já enorme vantagem financeira republicana
A injecção de capital prevista por parte de Musk — o maior doador da eleição presidencial de 2024 — vem apenas ampliar a já enorme vantagem dos Republicanos sobre os Democratas em financiamento proveniente de super PACs e grupos partidários. Embora os candidatos democratas em corridas-chave para o Senado estejam a angariar mais fundos do que os seus rivais republicanos, vários responsáveis do Partido Democrata começaram a temer ficar significativamente atrás em termos de despesa global nas intercalares.
Responsáveis do super PAC de Musk, a America PAC, já comunicaram o seu orçamento de nove dígitos a outros republicanos nas últimas semanas, como parte de um plano de despesa agressivo com arranque previsto para o próximo mês. Os valores exactos ainda podem mudar, mas o compromisso financeiro de Musk é já considerado suficientemente seguro para que responsáveis do seu super PAC tenham partilhado o orçamento com grupos como a MAGA Inc., o super PAC do Presidente Donald Trump — que também ainda não revelou o seu próprio plano de despesa para as intercalares.
Em declarações à Reuters, a America PAC confirmou que espera desempenhar um papel importante no esforço republicano de mobilização de eleitores, defendendo que o partido está bem posicionado para contrariar a tendência histórica que costuma favorecer o partido da oposição nas eleições intercalares e manter o controlo do Congresso. “Estamos entusiasmados por voltar a fazer parte da equipa”, afirmou o porta-voz da America PAC, Andrew Romeo.
Alaska, Iowa, Maine, Michigan e Ohio entre os primeiros alvos
O grupo de Musk planeia visar inicialmente corridas para o Senado em pelo menos cinco estados — Alaska, Iowa, Maine, Michigan e Ohio —, mantendo já conversações sobre disputas na Carolina do Norte, na Geórgia e no Texas. O super PAC planeia ainda investir em corridas para a Câmara dos Representantes em estados como a Califórnia, o Wisconsin e o estado de Washington.
A America PAC está a coordenar-se de perto com um ecossistema de grupos externos que preparam campanhas de terreno, incluindo a Americans for Prosperity — parte da rede política dos bilionários irmãos Koch — e o Sentinel Action Fund, outra organização conservadora. Grupos externos republicanos planeiam agrupar as suas operações de terreno mais do que nunca, depois de uma decisão do Supremo Tribunal, no final de Junho, ter tornado mais barato para os comités partidários trabalharem directamente com os candidatos. Para apoiar este esforço, a America PAC está a reunir empresas especializadas em angariação porta-a-porta, estando novamente à frente da operação Chris Young, principal conselheiro político de Musk, que já tinha supervisionado a enorme despesa do grupo na eleição de 2024.
Um regresso mais discreto do que em 2024
Musk gastou cerca de 300 milhões de dólares na campanha de 2024, promovendo comícios que aproveitavam a sua notoriedade para ajudar Trump. Desta vez, contudo, não é esperado que desempenhe um papel tão exposto publicamente como o que teve durante a corrida presidencial de 2024 ou durante uma importante eleição judicial no Wisconsin, em Abril de 2025, na qual o seu candidato preferido acabou derrotado.
Depois da derrota no Wisconsin, Musk pareceu reconhecer que a sua presença pública na corrida se tinha voltado contra ele, segundo noticiou o New York Times no ano passado. “Em termos de despesa política, vou fazer muito menos no futuro”, disse Musk à Bloomberg News, em Maio de 2025. “Acho que já fiz o suficiente.”
Da ruptura pública com Trump ao “America Party” nunca fundado
Poucos meses depois, Musk protagonizou uma ruptura espectacular com Trump. Abandonou o cargo em que supervisionava a iniciativa de corte de despesas governamentais do Presidente, conhecida como DOGE, e passou de imediato a criticar publicamente a principal lei da agenda doméstica de Trump, bem como o Partido Republicano em geral.
Nesse Verão, Musk chegou a ameaçar fundar um terceiro partido — o que deixou nervosos alguns dos seus próprios conselheiros mais alinhados com o Partido Republicano —, mas nunca deu passos concretos para criar aquilo a que chamaria “America Party”. No final do ano passado, tinha já feito, em grande medida, as pazes com Trump, e os seus conselheiros começaram a desenhar novamente planos para apoiar os republicanos.
Um interesse político que continua imprevisível
Ainda assim, o interesse de Musk pela política — e os seus comentários sobre o tema — continuam a parecer erráticos. Numa entrevista à revista The Economist, publicada na semana passada, o bilionário disse sobre o seu envolvimento na administração Trump: “Acho que me envolvi demasiado em política. Deixei-me levar, com franqueza.”
Segundo dados da Comissão Federal Eleitoral norte-americana, citados pela imprensa esta semana, Musk já tinha doado, só este ano, pelo menos 20 milhões de dólares a super PACs alinhados com a liderança republicana no Congresso, além de cinco milhões de dólares directamente à MAGA Inc. e dez milhões de dólares a um super PAC que apoia a candidatura de Nate Morris ao Senado pelo Kentucky — um sinal de que o regresso de Musk ao financiamento político republicano já vinha, de facto, a acontecer de forma gradual antes deste novo anúncio de maior escala.