Receitas de 364 mil milhões de dólares e margens brutas acima de 50%, num trimestre marcado pela última conferência de resultados de Tim Cook antes de passar o comando a John Ternus
A tecnológica norte-americana Apple anunciou esta quinta-feira um crescimento homólogo de 20% nos lucros líquidos, para 101,464 mil milhões de dólares, até ao final do terceiro trimestre fiscal, um valor recorde para a empresa.
A receita acumulada da Apple nos nove meses foi de 364,357 mil milhões de dólares, um aumento de 16% relativamente ao ano anterior, impulsionada principalmente pelas vendas do iPhone, seguidas pelo segmento de serviços, anunciou a empresa.
O CEO da Apple, Tim Cook, destacou que, no último trimestre, a tecnológica registou um crescimento de dois dígitos nas vendas de iPhone, Mac e serviços, bem como em todos os seus mercados geográficos. “Hoje, a Apple tem orgulho de anunciar o nosso melhor trimestre de Junho de sempre, com um crescimento de receitas de dois dígitos no iPhone, Mac e Serviços, e em todos os segmentos geográficos”, afirmou Cook, referindo-se ainda à apresentação da nova Siri com inteligência artificial na WWDC26, juntamente com as mais recentes inovações de software da Apple e novos recursos de segurança infantil.
Cook participou nesta quinta-feira na sua última teleconferência de resultados antes de passar o comando da empresa a John Ternus, a 1 de Setembro. A troca no principal cargo executivo da Apple foi anunciada em Abril, depois de mais de 14 anos de Cook à frente da companhia, culminando um processo de sucessão planeado há já algum tempo e aprovado por unanimidade pelo conselho de administração. A partir dessa data, Cook assumirá o cargo de presidente executivo do conselho (Executive Chairman), enquanto Ternus, actual vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware, passa a ocupar a cadeira de CEO.
Quem é John Ternus
Com 50 anos, Ternus entrou na Apple em 2001, na equipa de design de produtos, depois de se ter formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. Tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013, sucedendo a Dan Riccio, e desde então participou no desenvolvimento de várias gerações de produtos da empresa, incluindo o iPhone e o Mac. A sua ascensão à liderança da Apple ganhou força ao longo do último ano e meio, depois da saída do director de operações Jeff Williams, até então considerado o principal candidato à sucessão de Cook. Segundo analistas, a escolha de um executivo com perfil mais técnico, ligado ao hardware, pode sinalizar uma futura mudança de prioridades para a Apple, numa altura em que a empresa tem enfrentado críticas por estar atrasada na corrida à inteligência artificial face a concorrentes como a Microsoft ou a Google.
Resultados do terceiro trimestre fiscal
No último trimestre — o mais acompanhado por analistas e investidores —, a Apple reportou um lucro líquido de 29,789 mil milhões de dólares (aumento de 27% face ao ano anterior) e receitas de 109,419 mil milhões de dólares (aumento de 16%), segundo o comunicado da empresa.
A margem bruta atingiu os 50,1%, impulsionada por um impacto positivo de aproximadamente dois pontos percentuais provenientes dos reembolsos de tarifas, em resultado da alteração da política comercial norte-americana.
Por segmento, a receita do iPhone atingiu 54,252 mil milhões de dólares (aumento de 22%), a dos serviços 30,739 mil milhões de dólares (aumento de 12%) e a dos computadores Mac 10,352 mil milhões de dólares (aumento de 28%).
“Lucro por acção e cash flow operacional recorde”
“Estamos muito satisfeitos com os nossos resultados comerciais para o trimestre de Junho, com um lucro por acção e um cash flow operacional recorde”, disse o director financeiro Kevan Parekh. O responsável afirmou ainda que a base instalada de dispositivos — que se refere aos produtos Apple actualmente em uso — atingiu um recorde histórico em categorias e mercados geográficos importantes.
A Apple continua a ter as suas maiores vendas nas Américas, representando quase metade do total, seguidas pela Europa, China, Ásia-Pacífico e Japão.
Os números do segmento dos serviços ficaram aquém das previsões dos analistas, e os investidores reagiram negativamente à divulgação dos resultados, com as acções da Apple em queda — um sinal de que, apesar dos recordes de lucro e receita, o mercado continua atento à capacidade da empresa de manter o ritmo de crescimento neste segmento de maior margem, precisamente na véspera de uma das transições de liderança mais relevantes da história recente da companhia.