Economia

Angola arrecada quase 9 mil milhões de dólares com petróleo no 2.º trimestre

Preço médio do Brent atingiu 103,8 dólares por barril entre Abril e Junho, um máximo que reflecte directamente as tensões entre Estados Unidos e Irão, num contexto em que a produção angolana continua a recuar.

Angola arrecadou 8,91 mil milhões de dólares com a venda de petróleo no segundo trimestre do ano, um aumento de 54,71% face ao período homólogo, anunciou o Governo.

Os dados foram divulgados pelo secretário de Estado para os Recursos Minerais de Angola, Jânio Corrêa Victor, na Reunião sobre as Realizações do 2.º Trimestre de 2026, dedicada à análise e às perspectivas do mercado de petróleo bruto para o terceiro trimestre do ano. Esta subida resulta “da alta dos preços no mercado internacional”, enfatizou o responsável angolano.

Brent acima dos 100 dólares durante todo o trimestre

De acordo com o relatório, o preço médio do Brent no período em análise foi de 103,849 dólares por barril, representando um aumento de 28% face ao trimestre anterior e de 52,98% relativamente ao período homólogo de 2025. Este valor reflecte a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, que arrancou no final de Fevereiro e que, ao longo dos últimos meses, tem provocado sucessivas oscilações no preço do petróleo — com o Brent a chegar a ultrapassar os 140 dólares por barril em picos de maior tensão, e a recuar depois para níveis próximos dos 70 dólares sempre que surgiam sinais de trégua entre as duas partes.

“Em termos de comercialização, durante o mesmo período, Angola exportou cerca de 88,12 milhões de barris de petróleo bruto, avaliados em aproximadamente 8,91 mil milhões de dólares americanos, correspondente ao preço médio ponderado de 101,087 dólares por barril”, enfatizou Jânio Corrêa Victor. O volume exportado representa um aumento de 2,22% face ao primeiro trimestre deste ano, e de 3,85% em relação ao período homólogo de 2025, enquanto o valor bruto correspondente registou um acréscimo de 24,59% face ao trimestre anterior.

China continua a ser o principal comprador

A China manteve-se como o principal destino das exportações angolanas, absorvendo 51,67% do total, seguindo-se a Índia, com 12,20%, a Espanha, com 5,45%, e a Indonésia, com 5,08%. Portugal recebeu apenas 0,85% das exportações de petróleo angolano — uma fatia residual que confirma o peso cada vez mais marginal do mercado português nas exportações petrolíferas do país, comparado com a Ásia, que se mantém como destino largamente dominante.

Relativamente ao gás natural, as exportações realizadas no período em análise totalizaram cerca de 1,52 milhão de toneladas métricas, com destaque para o gás natural liquefeito (LNG), que representou 87% do total. Estes resultados, comparativamente ao segundo trimestre de 2025, demonstraram um aumento de 10,74% no volume de gás natural exportado.

Um trimestre de receitas em alta, mas de produção ainda em queda

Os números divulgados esta semana contrastam, contudo, com a tendência estrutural de fundo da indústria petrolífera angolana: a produção nacional de crude continua a recuar. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a produção angolana caiu 9% entre 2024 e 2025, situando-se em 2025 no nível mais baixo dos últimos dez anos — 1,029 milhões de barris por dia, uma quebra de 40,2% face aos 1,722 milhões de barris diários registados em 2016. Só nesse intervalo de uma década, Angola passou a produzir menos 693 mil barris por dia, um declínio que tem pressionado de forma persistente as receitas fiscais do Estado, independentemente da evolução dos preços internacionais.

Este segundo trimestre de 2026 ilustra, assim, um padrão que se tem repetido: o crescimento da receita petrolífera resulta quase inteiramente do efeito-preço — impulsionado pela volatilidade geopolítica no Médio Oriente — e não de um aumento sustentado da produção física de petróleo, que continua a exigir novos investimentos para inverter a tendência de declínio. É precisamente nesse esforço que se inserem os recentes acordos anunciados pela ANPG com operadoras como a TotalEnergies, a ExxonMobil e a Shell, além do interesse renovado manifestado pela Galp em regressar à exploração no país, com o objectivo de travar o declínio da produção e mantê-la acima de um milhão de barris por dia nos próximos anos.

Relacionadas

FIFA mantém plano para vender participações em competições

A FIFA reafirmou que vai avançar com o controverso plano

Mapa de África apresentado pelos EUA em conferência sobre SIDA

Uma apresentação do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre

Crise migratória em Ceuta: mais de 40 mil pessoas entram

Pedro Sánchez fala em “violação da integridade territorial” enquanto Meloni