Economia

Fundo Global para o Meio Ambiente investe cinco milhões de dólares na Economia Azul africana

Financiamento apoia projecto continental de implementação da Estratégia de Economia Azul da União Africana, com execução prevista para três anos.

O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) disponibilizou cinco milhões de dólares para financiar o Projecto Continental de Apoio à Implementação da Estratégia de Economia Azul da União Africana, cuja execução está prevista para 36 meses. A informação foi avançada pelo especialista em gestão costeira e marinha Ivica Trumbic.

O anúncio surge no âmbito da 3.ª Conferência de Alto Nível sobre a Economia Azul Sustentável de África, que decorre em Luanda entre os dias 22 e 25 deste mês, reunindo especialistas, decisores políticos e representantes de instituições internacionais em torno do futuro do sector no continente.

Um sector com potencial multimilionário até 2030

O financiamento do GEF surge num momento em que a União Africana reforça o discurso sobre o peso económico da economia azul para o continente. Segundo o director do Meio Ambiente Sustentável e Economia Azul da Comissão da União Africana (AUC), Harsen Nyambe Nyambe, que discursou à margem da mesma conferência, o sector gera actualmente cerca de 406 mil milhões de dólares para o Produto Interno Bruto (PIB) de África, assegurando aproximadamente 49 milhões de postos de trabalho.

Segundo a Agenda 2063 da União Africana, prevê-se que, até ao final da sua implementação, a economia azul seja capaz de criar 78 milhões de postos de trabalho, com um rendimento económico que poderá atingir cerca de 576 mil milhões de dólares — números que colocam o oceano e os recursos marítimos e fluviais entre os principais motores de crescimento identificados para o continente nas próximas décadas.

O desafio não é a falta de estratégias, mas a sua implementação

Para Harsen Nyambe Nyambe, o principal obstáculo ao desenvolvimento da economia azul em África não reside na ausência de instrumentos orientadores. “África dispõe de diversos instrumentos orientadores, entre os quais a Agenda 2063, a Estratégia e Plano de Acção para a Biodiversidade, a Estratégia Africana para a Economia Azul e a Estratégia Marítima Integrada de África. O verdadeiro obstáculo continua a ser a implementação efectiva dessas políticas”, observou o responsável, defendendo que a responsabilidade colectiva deve centrar-se em reduzir essa distância entre o desenho das estratégias e a sua aplicação prática no terreno.

É precisamente nesse contexto que se enquadra o apoio do GEF, ao financiar um projecto continental especificamente desenhado para apoiar os Estados-membros da União Africana na implementação efectiva da sua estratégia de economia azul, através de acções a desenvolver ao longo dos próximos três anos.

Cinco pilares para uma economia azul sustentável

De acordo com a Comissão da União Africana, a construção de uma economia azul sustentável no continente deve assentar em cinco pilares fundamentais: a força política, a liderança, o financiamento sustentável, a cooperação regional e a participação inclusiva das comunidades costeiras e ribeirinhas.

A aposta na economia azul tem vindo a ganhar destaque em diferentes fóruns africanos ao longo deste ano — a União Africana tem apontado, por exemplo, Moçambique como um potencial líder continental no sector, face ao seu extenso litoral e aos desafios e oportunidades que enfrenta na gestão sustentável dos recursos marinhos. A realização da conferência de Luanda reforça a centralidade que Angola, com uma vasta faixa costeira no Atlântico, também procura assumir nesta agenda, numa altura em que o continente enfrenta desafios como a pesca ilícita, os efeitos das alterações climáticas e a necessidade de financiamento sustentável para transformar o potencial dos oceanos em desenvolvimento económico concreto para as populações.

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