Desporto

Níger, Mali e Burquina Faso lançam candidatura conjunta ao CAN 2032

Níger, Mali e Burquina Faso — três países governados por juntas militares que ascenderam ao poder através de golpes de Estado — apresentaram uma candidatura conjunta para organizar a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2032.

Este anúncio surge após a Confederação Africana de Futebol (CAF) ter aberto o processo de candidaturas para as edições de 2028, 2032 e 2036 da sua principal competição de selecções.

A Federação Maliana de Futebol (Femafoot) afirmou que a proposta conjunta assenta nos princípios da solidariedade, integração regional e desenvolvimento sustentável do futebol africano. Acrescentou que irá trabalhar com as autoridades competentes para preparar uma candidatura “sólida e credível”, com o objectivo de apresentar uma nova visão para o futebol continental.

Os três países vizinhos abandonaram oficialmente, no ano passado, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), após criarem a Aliança dos Estados do Sahel (AES), um pacto destinado a reforçar a cooperação em áreas como a segurança, as infraestruturas, o comércio e o desenvolvimento económico.

Contudo, a situação de segurança no Burquina Faso, Mali e Níger continua altamente instável, devido aos ataques de grupos armados jihadistas. Os três governos afastaram-se dos seus tradicionais parceiros ocidentais em matéria de segurança e reforçaram os laços com a Rússia.

Questionado pela BBC Sport Africa sobre se a CAF exigirá garantias de segurança antes de avaliar a candidatura, o presidente da organização, Patrice Motsepe, afirmou que os três países “terão as mesmas oportunidades que qualquer outro” para acolher a fase final da competição.

“Não serão prejudicados nem discriminados pelo facto de serem governados por juntas militares. Mas levanta uma questão muito importante”, afirmou Motsepe. O dirigente reconheceu que as questões relacionadas com a segurança e protecção serão analisadas durante o processo de avaliação, mas sublinhou que ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o país ou países anfitriões do CAN de 2032.

Ainda assim, Motsepe frisou que a CAF tem de “lidar com a realidade”. “Naturalmente, a democracia, a liberdade de expressão e a realização regular de eleições são princípios inegociáveis e fundamentais”, declarou. Apesar disso, acrescentou que visitará os três países para dialogar sobre os aspectos relacionados com o futebol.

Decisão nas mãos do Comité Executivo da CAF

Patrice Motsepe sublinhou que a decisão sobre os anfitriões das próximas três edições da Taça das Nações Africanas (CAN) caberá sempre ao Comité Executivo da Confederação Africana de Futebol (CAF).

“Há muitos presidentes que pensam que tenho o poder de decidir que a CAN vai para determinado país”, afirmou. E acrescentou: “Não quero ter esse poder, porque parte da minha responsabilidade é criar uma cultura em que a CAF funcione de forma ética, com boa governação, transparência e de acordo com as melhores práticas internacionais.” Motsepe assegurou que os critérios de selecção serão rigorosos. “Os padrões são muito elevados. Temos de estar convencidos de que haverá livre circulação dos adeptos e espectadores na entrada e saída do país.” “Temos também de estar convencidos — e isto aplica-se a todos os países — de que os nossos adeptos e convidados estarão seguros, protegidos pelas forças policiais e que existirão boas infraestruturas.”

Reunião preliminar nos Estados Unidos

O presidente da Femafoot reuniu-se, no último sábado, em Nova Iorque, com Patrice Motsepe, acompanhado pelos presidentes das federações de Burquina Faso e do Níger, à margem da final do Mundial de 2026. No encontro participou igualmente o coronel-major Djibrilla Hima Hamidou, membro do Conselho da FIFA e presidente honorário da Federação Nigerina de Futebol.

Recorde-se que o Burquina Faso organizou a CAN em 1998 e o Mali em 2002. Já a edição de 2027, que será disputada no Quénia, Tanzânia e Uganda, será a primeira da história com três países coanfitriões.

Após a edição de 2028, a CAN passará a realizar-se de quatro em quatro anos. Motsepe revelou ainda que a CAF recebeu “candidaturas entusiasmantes” para as próximas edições e continua a avaliar a possibilidade de aumentar o número de selecções participantes na fase final, de 24 para 28.

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