Presidente do Conselho de Administração da Zona Económica Especial revela que a maioria dos 120 projectos em construção no local pertence a empresas portuguesas
Trezentos e 30 milhões de dólares é o valor do investimento de 23 projectos de empresas portuguesas na Zona Económica Especial (ZEE), na província de Icolo e Bengo. A informação foi avançada à imprensa pelo presidente do Conselho de Administração da ZEE, Manuel Pedro, durante a Feira Internacional de Angola (FILDA) 2026, que decorre desde o início da semana.
Segundo o responsável, as empresas lusas actuam principalmente nos sectores alimentar e farmacêutico, e asseguram mais de dois mil postos de trabalho a jovens angolanos. Manuel Pedro reiterou que o Conselho de Administração da ZEE vai continuar a trabalhar para a atracção de mais investimentos portugueses, tendo ainda revelado que a maioria dos 120 projectos actualmente em construção na Zona Económica Especial pertence a empresas portuguesas.
O responsável antevê um futuro profícuo na relação económica entre Angola e Portugal, com mais investimentos no sector industrial e mais emprego para os jovens angolanos.
A ZEE do Icolo e Bengo, maior polo industrial do país
Criada em 2009 pelo Governo angolano como iniciativa estratégica para impulsionar o desenvolvimento industrial, atrair investimento nacional e estrangeiro e diversificar a economia do país, a Zona Económica Especial Luanda-Bengo ocupa uma área de cerca de 7.500 hectares e é hoje considerada o maior polo industrial de Angola. Situada junto a infraestruturas de transporte estratégicas — incluindo o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, portos marítimos e a linha ferroviária de Luanda —, a ZEE tem já gerado mais de 14.500 postos de trabalho e atraído mais de 1,6 mil milhões de dólares em investimento directo estrangeiro, segundo dados relativos ao seu percurso desde a criação. Em Fevereiro de 2025, a administração da ZEE já tinha anunciado a chegada prevista de mais 60 novas indústrias dos sectores alimentar e farmacêutico ao espaço, no âmbito de um esforço contínuo de expansão do parque industrial.
Portugal reforça presença na FILDA 2026
O anúncio de Manuel Pedro surge num momento de forte visibilidade das empresas portuguesas na 41.ª edição da FILDA, que decorre até sábado na Zona Económica Especial. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) liderou este ano uma delegação de vinte empresas lusas ao certame, em coordenação com a AICEP — Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal — e com a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), reunindo companhias de sectores tão diversos como maquinaria industrial, azeite e lacticínios, consultoria e software, embalagens, têxtil, produtos de limpeza, produtos farmacêuticos, mobiliário e iluminação.
Em declarações à Lusa, à margem do evento, o secretário de Estado da Economia português, João Rui Ferreira, defendeu a vantagem competitiva de Portugal no mercado angolano e mostrou-se optimista com a evolução das exportações portuguesas para Angola, que terão crescido 9% no início de 2026. O governante sublinhou que o principal sinal do interesse das empresas portuguesas pelo mercado angolano é precisamente a sua forte participação na FILDA.
Relação económica em transformação
Apesar do reforço da presença institucional e empresarial portuguesa em eventos como a FILDA, dados recentes mostram uma perda relativa de peso de Portugal no mercado angolano: o número de empresas portuguesas a exportar para Angola caiu em mais de 700 entre 2021 e 2025, ainda que o valor das vendas tenha aumentado 14,6% no mesmo período. Em sentido inverso, o investimento angolano em Portugal mais do que duplicou desde 2021, aproximando-se hoje do dobro do investimento português em Angola — uma tendência que tem vindo a reconfigurar a relação económica bilateral entre os dois países, num contexto em que Angola procura diversificar as suas fontes de investimento estrangeiro sem deixar de valorizar parceiros históricos como Portugal.
A 41.ª edição da FILDA, que decorre sob o lema “Produzir e Inovar Localmente, Vencer Globalmente”, regista já 2.348 participações directas e indirectas, com a presença anunciada de mais de 20 países e de dez províncias angolanas, num certame que continua a afirmar-se como a maior plataforma de promoção económica e empresarial do país.