O Brent voltou a superar os 90 dólares por barril esta segunda-feira, à boleia de uma nona noite consecutiva de ataques dos EUA ao Irão que reacende as tensões no Estreito de Ormuz — semanas depois de um acordo de paz entre Washington e Teerão ter começado a aliviar as sanções ao petróleo iraniano.
O petróleo está a disparar mais de 3% esta segunda-feira, com o Brent acima dos 90 dólares por barril — algo que não acontecia há mais de um mês —, numa altura em que a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irão no Médio Oriente tem voltado a restringir a circulação pelo Estreito de Ormuz. A esta hora, o Brent, crude de referência para a Europa, avança 3,13% para 90,86 dólares por barril e acumula uma subida de 23% este mês, a caminho do maior ganho desde Março. O West Texas Intermediate (WTI), de referência para os EUA, segue a valorizar 2,74%, para 84,75 dólares.
Os EUA levaram a cabo a nona noite consecutiva de ataques contra o Irão, afirmando ter tido como alvo uma série de instalações militares, postos de vigilância costeira e redes de comunicações, com o objectivo de reduzir a capacidade de Teerão para atacar a navegação no Estreito de Ormuz. O Pentágono confirmou a morte de um terceiro militar norte-americano, depois de dois soldados terem já morrido em ataques na Jordânia e no Iraque. Ainda este domingo, a Guarda Revolucionária do Irão anunciou ter intercetado vários navios que tentavam atravessar o estreito sem autorização — pela via marítima onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Uma guerra que já levou o barril acima dos 120 dólares
A subida desta segunda-feira surge no contexto de um conflito que dura, com avanços e recuos, desde 28 de Fevereiro, quando ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão desencadearam meses de confrontação directa, incluindo o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e um bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos entre Abril e final de Maio. Nas semanas mais críticas do conflito, em Março, o Brent chegou a ultrapassar os 120 dólares por barril, mais do que duplicando o preço registado antes do início da guerra.
A tensão pareceu começar a esbater-se em Junho, com o início, na Suíça, de negociações técnicas entre delegações dos EUA e do Irão, mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão, na sequência de um memorando de entendimento assinado entre as partes. Desse processo resultou um alívio parcial das sanções norte-americanas ao petróleo iraniano — incluindo uma licença do Tesouro dos EUA, válida até 21 de Agosto, para a produção, venda e transporte de crude iraniano — e o desbloqueio de fundos congelados de Teerão. Nesse período de acalmia, o Brent recuou para valores próximos dos que agora volta a ultrapassar.
A retoma dos combates nos últimos dias, com nove noites seguidas de ataques norte-americanos e mortes de militares dos EUA na região, mostra que esse processo de paz permanece frágil e sujeito a novas escaladas, o que os mercados voltam a penalizar através do preço do petróleo, ainda longe, para já, dos máximos atingidos em Março.