O subsecretário-geral das Nações Unidas e Alto Representante para a Aliança das Civilizações da ONU, Miguel Ángel Moratinos, destacou esta quarta-feira, em Luanda, o compromisso e a liderança do Presidente angolano, João Lourenço, em favor da paz “num mundo em guerra”. As declarações foram feitas à imprensa no final de uma audiência concedida por João Lourenço a Moratinos, à margem da 3.ª edição da Iniciativa da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, que decorre esta quinta e sexta-feira na capital do país.
Moratinos, que acumula as funções de enviado especial da ONU para o combate à islamofobia, afirmou que, num mundo a braços com crises e conflitos, a cimeira de Luanda enviará “uma mensagem muito forte a favor do fim das armas e das guerras, para tornar o mundo pacífico”. Segundo o responsável, Angola, depois de várias décadas de guerra civil, provou que a paz é a única saída para os conflitos e a condição para se ter “um país dinâmico e em progresso” — um exemplo que, disse, se reflecte também nos esforços de João Lourenço na mediação de conflitos na região.
O Alto Representante recordou que a iniciativa das Nações Unidas para um “grito de paz” e o fim das guerras já passou por Guernica, cidade basca bombardeada em 1937 durante a Guerra Civil espanhola, e por Sarajevo, que viveu sob cerco durante a guerra da Bósnia, na década de 1990. “Em Luanda é a terceira edição, com o objectivo de que, todos juntos, sob a liderança do Presidente, avancemos para um mundo muito mais pacífico, em paz e tolerante. Temos de salvar o planeta e a humanidade”, afirmou.
O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, detalhou, também em conferência de imprensa, o programa dos dois dias de cimeira. O primeiro dia é reservado ao conhecimento da memória histórica de Angola sobre o processo de pacificação, com a deposição de uma coroa de flores no monumento ao Soldado Desconhecido, seguindo-se, já a meio da tarde, a abertura oficial do encontro, com intervenções do chefe de Estado angolano e mensagens do presidente da Comissão da União Africana e do secretário-geral da ONU. Foram dirigidos convites à República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Namíbia, Libéria, Cabo Verde e República do Congo. Já a sexta-feira estará centrada no papel dos líderes religiosos, da juventude e das mulheres na prevenção de conflitos e na promoção da paz.
Dionísio da Fonseca adiantou ainda que um dos painéis da cimeira será dedicado ao mercenarismo, identificado pelo Governo angolano como um dos “grandes males” por trás de muitas das guerras actuais. “Entendemos hoje que um dos grandes males no capítulo das guerras que existem um pouco por todo o mundo é a utilização de mercenários recrutados sobretudo para provocar transformações inconstitucionais em várias partes do globo e particularmente no continente africano. Por isso, teremos também um painel dedicado a debater a questão do mercenarismo e o seu impacto na coesão social”, referiu o ministro.
O encerramento da cimeira, na sexta-feira, ficará marcado pela aprovação da Declaração de Luanda, documento que visa sensibilizar sobretudo as grandes potências mundiais para a necessidade de preservação da vida humana.