Mais de 200 economistas e investigadores em Inteligência Artificial (IA) apelaram aos líderes políticos e tecnológicos para que actuem de imediato na preparação para as profundas transformações económicas provocadas pela IA.
Numa carta aberta divulgada ontem, segunda-feira, dia 13, e organizada pelo Laboratório de Economia Digital da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mais de 200 especialistas — entre eles 16 laureados com o Prémio Nobel — defendem que os decisores políticos “devem agir agora” para enfrentar o impacto económico da IA.
O documento alerta que, na próxima década, a inteligência artificial poderá tornar-se muito mais poderosa, desencadeando uma transformação “maior do que a Revolução Industrial, mas a decorrer num período de tempo muito mais curto”.
Segundo os signatários, esta evolução poderá trazer riscos significativos, incluindo a substituição de trabalhadores em larga escala, mas também oportunidades, como ganhos expressivos nos níveis de vida e na produtividade.
Para responder a estes desafios, a carta defende que governos e empresas criem “incentivos, salvaguardas e instituições” que garantam que a IA complemente o trabalho humano e beneficie toda a sociedade.
Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia e organizador da iniciativa, citado pela agência Reuters, afirmou que o tempo para agir está a esgotar-se. “Não podemos improvisar a nossa estratégia e as nossas instituições no meio desta transformação. Esperar por certezas significa chegar demasiado tarde.”
O apelo surge numa altura em que se acumulam sinais do impacto da IA no mercado de trabalho. Em Outubro, a Amazon anunciou o corte de cerca de 14 mil postos de trabalho, poucos meses depois de o seu director-executivo revelar que a IA generativa e os agentes de IA passariam a desempenhar algumas funções actualmente realizadas por trabalhadores.
Nos Estados Unidos, os recém-licenciados enfrentam um mercado de trabalho cada vez mais difícil, reflectindo as mudanças provocadas pela adopção acelerada destas tecnologias.
As preocupações estendem-se também ao plano internacional. Em Dezembro, as Nações Unidas alertaram que a AI poderá agravar as desigualdades entre países, permitindo que as economias mais desenvolvidas beneficiem primeiro dos avanços tecnológicos, enquanto os países mais pobres correm o risco de ficar ainda mais para trás.