Política 

Paulo Rangel desmente Xanana Gusmão: próxima presidência rotativa da CPLP “ainda não está definida”

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, declarou à agência Lusa que a próxima presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda não está definida, contrariando o que fora anunciado pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, em Lisboa, a 22 de Junho.

Na altura, Xanana Gusmão tinha anunciado, na sede da CPLP, que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização, justificando que o actualperíodo de presidência pro tempore corresponde, na prática, ao mandato que estava destinado à Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau assumiu a direcção da CPLP em Agosto de 2025, com um mandato previsto para se estender até 2027. O percurso foi, no entanto, interrompido pela crise política que se seguiu às eleições gerais, presidenciais e legislativas de 23 de Novembro de 2025: três dias depois da votação, e na véspera do anúncio oficial dos resultados, o Alto Comando Militar guineense tomou o poder, depondo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, que disputava a reeleição, e suspendendo o processo eleitoral — numa altura em que o candidato independente Fernando Dias reivindicava vitória na primeira volta. O golpe de Estado foi condenado pela generalidade da comunidade internacional.

Na sequência do golpe, a CPLP suspendeu formalmente a participação da Guiné-Bissau em todas as actividades da organização, decisão tomada a 16 de Dezembro de 2025, durante uma Conferência Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo realizada por via virtual — à semelhança do que aconteceu com a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que também suspenderam o país. Nessa mesma decisão, a presidência pro tempore da CPLP transitou, com todas as prerrogativas do regulamento da organização, para Timor-Leste.

É precisamente essa transição temporária que está agora na origem do diferendo: enquanto Díli defende que a presidência que exerce em nome da Guiné-Bissau lhe dá o direito de assumir também o mandato rotativo seguinte, Lisboa insiste que a questão está em aberto. Questionado sobre o tema, Paulo Rangel respondeu que “[essa] é uma questão que tem que ser discutida pelos chefes de Estado e de Governo”, que pode ser “preparada com conversações dos ministros dos Negócios Estrangeiros”, mas “é algo que, sinceramente, não se pode dizer que está definido”. “Está a haver conversações, também não há, assim, uma urgência imediata e tem-se olhado para essa questão procurando criar um consenso, porque tem que haver um consenso”, acrescentou o governante.

Com a indefinição sobre a próxima presidência da organização, permanece também por decidir o país anfitrião da próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, prevista para Julho de 2027 — cimeira que, nas regras habituais da organização, costuma coincidir com a transição da presidência rotativa entre Estados-membros.

Relacionadas

Multimilionário tanzaniano Mohammed Dewji disposto a investir 100 milhões USD

Mohammed Dewji, presidente do grupo MeTL, manifestou-se disposto a investir

Governador do BNA prevê inflação de um dígito já em

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago

Standard Bank Angola troca crédito por dívida pública na carteira

O Standard Bank Angola (SBA) registou um crescimento de aproximadamente