Desporto

Argentina ressuscita diante do Egipto (3-2) e ganha o jogo em tempo de compensação

O futebol é jogado pelos argentinos exactamente da mesma forma que o comunicam: com paixão arrebatadora, de cair para o lado. Na segunda-feira, em Atlanta, essa paixão teve de se agarrar a um milagre — a Argentina, campeã em título, esteve a perder por 2-0 frente ao Egipto até aos 75 minutos dos oitavos-de-final do Mundial2026, e vinha a caminho da eliminação. Acabou por vencer por 3-2, com Lionel Messi a assistir, a marcar e a chorar copiosamente no final, naquela que poderá ter sido a sua última dança num Mundial.

Foi a primeira vez, na história da competição, que uma selecção venceu um jogo a eliminar no tempo regulamentar depois de estar a perder por duas bolas de diferença aos 75 minutos. O Egipto, com Mohamed Salah, parecia encaminhado para uma das maiores surpresas do torneio — até Messi decidir que a história ainda não estava escrita.

Aos 79 minutos, o capitão argentino assistiu Cristian Romero para o primeiro golo da reviravolta. Quatro minutos depois, aos 83, foi a vez de o próprio “Pulga” empatar a partida, no que foi já o seu oitavo golo do torneio — recuperando, em solitário, a liderança da Bota de Ouro. Ainda teve nas mãos, ou melhor, no pé, a possibilidade de decidir o jogo de forma ainda mais dramática, mas falhou uma grande penalidade, o segundo penálti falhado por Messi neste Mundial. Coube então a Enzo Fernández, já no segundo minuto de compensação, fechar a reviravolta com o golo da vitória.

“Estou muito emocionado”, disse Lionel Scaloni, seleccionador argentino, no final. “Que grupo de jogadores, meu irmão.” Não foi o único a mostrar-se assim: Pablo Aimar, adjunto de Scaloni, já tinha quase colapsado no banco há quatro anos, no jogo com o México; ontem, foi o próprio Scaloni quem não conseguiu olhar os jornalistas nos olhos para falar. Messi, esse, chorou copiosamente depois do triunfo — talvez porque, aos 38 anos, esta possa ter sido a sua despedida de um Mundial que, para muitos argentinos, só começou a ser verdadeiramente seu depois da primeira Copa América, o título que abriu caminho ao troféu do Qatar em 2022.

O trabalho de Scaloni, sublinhe-se, tem sido determinante: fez a equipa absorver Messi, que aceitou distribuir responsabilidades, confiar nos colegas e esperar o seu momento para aparecer — e todos, por sua vez, confiam nele. É esse colectivo, mais do que qualquer individualidade isolada, que agora segue para os quartos-de-final, onde a Argentina defronta a Suíça, no sábado, dia 11 de Julho, em Kansas City. Pode a Argentina não voltar a ser bicampeã — talvez já não tenha os argumentos de outros tempos —, mas, com noites como esta, dizem que há o futebol e há o futebol argentino… o que não é a mesma coisa.

 

Relacionadas

Argentina ressuscita diante do Egipto (3-2) e ganha o jogo

O futebol é jogado pelos argentinos exactamente da mesma forma

Tempo de paragem é o custo escondido das empresas angolanas

Para sectores como o transporte pesado, a construção, a logística,

Clooney vai a Veneza buscar o Leão de Ouro e

George Clooney vai receber o Leão de Ouro de carreira