Angola está a deixar de ser vista apenas como um destino com potencial turístico para se tornar um destino de investimento credível, afirmou a Secretária-Geral da ONU Turismo, Shaikha Al Nuwais, no Global Tourism Forum Angola Investment Summit, em Luanda, elogiando a liderança do país, a sua agenda de reformas e a crescente confiança internacional.
A responsável das Nações Unidas afirmou que Angola já não trata o turismo apenas como um sector económico, mas sim como um motor de prosperidade, oportunidade e transformação nacional de longo prazo.
Recordando o encontro que teve com o Presidente João Lourenço durante a Cimeira Mundial de Governos, no Dubai, Al Nuwais afirmou que o seu compromisso com o turismo como parte do futuro de Angola lhe deixou uma impressão duradoura. Uma visão está agora a traduzir-se em acção concreta.
Al Nuwais destacou os mais de 8 mil milhões de euros mobilizados através da estratégia nacional de turismo de Angola, o PLANATUR, a par da isenção de vistos para cidadãos de mais de 90 países e da Declaração Ministerial de Luanda, que visa reforçar a conectividade aérea na região.
A sua mensagem central centrou-se na confiança dos investidores. “O investimento segue a confiança”, afirmou, argumentando que essa confiança em Angola está a crescer. Como prova, apontou o voo lotado que apanhou para Luanda e a forte presença de marcas hoteleiras internacionais, investidores do sector do turismo e líderes empresariais na cimeira, descrevendo-os como sinais claros de que Angola está a atrair uma atenção internacional crescente.
Fechar o fosso de investimento no turismo africano
Al Nuwais recordou ainda a participação de Angola na ITB Berlim, no início deste ano, onde o país mostrou a sua cultura, música, gastronomia e tradições a uma audiência internacional. Uma das actuações ali apresentadas, disse, simbolizou mais do que património cultural, representando orgulho nacional e uma confiança crescente no futuro de Angola.
Ao abordar o investimento no continente, a responsável recordou declarações anteriores do ministro do Turismo de Angola, Márcio Daniel, que notou que a África continua a receber a menor fatia do investimento turístico mundial. Para a ONU Turismo, disse, fechar esse fosso de investimento tornou-se uma prioridade central. “O potencial está amplamente distribuído, mas o investimento não está”, afirmou, defendendo que os destinos com fortes activos turísticos merecem maior acesso ao capital internacional. A responsável explicou que a ONU Turismo continuará a apoiar os governos através de directrizes de investimento, fóruns de investimento e iniciativas concebidas para ligar os sectores público e privado.
“Pronta, ambiciosa e aberta a negócios”
Segundo Al Nuwais, Angola é um dos destinos mais bem posicionados para beneficiar dessa abordagem. A responsável descreveu o país como “pronto, ambicioso e aberto a negócios”, acrescentando que a cimeira deveria tornar-se uma plataforma para parcerias práticas, e não apenas para discursos e debates.
Referindo-se à campanha nacional de turismo de Angola, “Visit Angola: The Rhythm of Life”, afirmou que o “ritmo” do país está agora a ser ouvido muito para além das suas fronteiras, por investidores, empresas do sector do turismo e viajantes. A sua intervenção fez eco de um dos temas centrais da cimeira: o de que Angola está a construir uma nova economia do turismo assente na liderança, na conectividade, no investimento e na cooperação internacional.
Um dos momentos simbólicos da cimeira foi a entrega, por Al Nuwais, das directrizes “TourismDoing Business – Investing in Angola” ao Presidente João Lourenço. A entrega sublinhou a parceria entre Angola e a ONU Turismo, reforçando também a ambição do país de fazer do turismo um pilar estratégico da diversificação económica. A publicação foi concebida para ajudar os investidores internacionais a compreender melhor as oportunidades turísticas de Angola, as áreas prioritárias de desenvolvimento e o potencial de investimento a longo prazo.
Ao concluir a sua intervenção, Al Nuwais afirmou que Angola já não está à espera do futuro, mas a construí-lo activamente. O potencial turístico do país, concluiu, “já não é apenas uma promessa — está a tornar-se realidade”.