A Microsoft anunciou o corte de 3.200 postos de trabalho na divisão de videojogos Xbox — cerca de 20% dos seus trabalhadores —, no âmbito de um corte mais amplo de 4.800 empregos em toda a empresa. A gigante tecnológica justificou a decisão com a necessidade de “ajustar recursos, investimentos e esforços” num ambiente tecnológico que “evolui a grande velocidade”, adiantou a directora de recursos humanos da empresa, Amy Coleman.
Dos 3.200 postos eliminados na Xbox, 1.600 funcionários foram despedidos de imediato, estando os restantes 1.600 previstos para os próximos 12 meses, incluindo os postos afectados pela venda de estúdios.
Este anúncio faz parte de um plano de reorganização da divisão de videojogos, que inclui a venda de quatro estúdios da Microsoft.
“O nosso negócio [de videojogos] não está a correr bem”, escreveu Asha Sharma, responsável da Microsoft Gaming. “As nossas margens operacionais são três a dez vezes inferiores às de plataformas e editoras comparáveis”, explicou no comunicado de imprensa. A executiva acrescentou que a Microsoft tem “custos estruturais mais elevados” com as consolas Xbox do que os seus concorrentes directos, a Sony e a Nintendo.
A redução de pessoal insere-se num processo mais amplo de transformação da tecnológica, que já realizou várias rondas de despedimentos nos últimos anos: em 2025 foram eliminados 9.000 postos de trabalho, ou seja, 7% da força de trabalho nos Estados Unidos.
No início de 2023, a empresa anunciou o despedimento de 10 mil pessoas.
A Microsoft acumula perdas em bolsa este ano, num contexto em que os investidores questionam o impacto dos elevados investimentos em inteligência artificial generativa no negócio — a empresa prevê gastar cerca de 190 mil milhões de dólares em despesas de capital ligadas à IA em 2026.