A prestação de contas sobre critérios ESG está longe de ser uma prática generalizada na banca angolana. Durante a IV Conferência da ABANC, Denise Pinheiro, coordenadora adjunta do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da associação e responsável pelo Gabinete de Sustentabilidade do BFA, revelou que apenas 31% das instituições financeiras nacionais elaboram e divulgam um Relatório de Sustentabilidade.
Os dados apresentados pela ABANC expõem o desfasamento entre as políticas declaradas e a realidade operacional. Embora 35% dos bancos afirmem dispor de uma política de sustentabilidade formalizada, parte destas instituições não dá o passo seguinte da transparência pública através de relatórios. O indicador regista a maior quebra ao nível da estrutura interna, onde apenas 23% dispõem de um departamento dedicado em exclusivo à pasta ESG.
Denise Pinheiro alertou para a necessidade de o sector avançar de forma conjunta. “Temos de levar este tema a sério. O nosso maior receio é acelerarmos o passo em demasia e não estarmos todos alinhados para poder acompanhar o processo. Um dos grandes princípios da sustentabilidade é não deixar ninguém para trás; é avançarmos todos à mesma velocidade para a melhoria do sistema financeiro”, afirmou.
Esta falta de accountability compromete a credibilidade do sector e eleva o risco de greenwashing, uma vez que as estratégias internas declaradas não são sujeitas a escrutínio público nem a auditorias independentes através de documentos oficiais.
O diagnóstico da ABANC identifica barreiras estruturais objectivas que ajudam a explicar por que razão 69% dos operadores ainda não publicam estes relatórios. O principal obstáculo é a ausência de dados ESG fiáveis e padronizados no mercado nacional, a par da falta de uma Taxonomia Nacional que defina legalmente o que constituem actividadesverdes. Sem estes referenciais, os bancos enfrentam dificuldades técnicas para quantificar o impacto ambiental e social dos seus financiamentos. A isto acresce a escassez de quadros técnicos especializados dentro das próprias instituições financeiras.
Para reverter o cenário actual, a ABANC defende um roteiro focado na criação urgente de uma Taxonomia Nacional e no investimento numa infraestrutura de dados ESG partilhada e acessível. De acordo com a associação, o estabelecimento de regras claras e de informação de base fiável é o único caminho para reduzir as assimetrias e capacitar os restantes bancos a cumprir as exigências do mercado e dos reguladores internacionais.