Portugal é hoje o principal destino do investimento angolano no estrangeiro, e o peso do país na carteira externa de Angola não parou de crescer entre 2025 e 2026, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA) e do Banco de Portugal.
Segundo cálculos com base no relatório do BNA sobre a Balança de Pagamentos e Posição do Investimento Internacional, o investimento angolano em Portugal disparou 34% em 2025, de 2.306 para 3.096 milhões de dólares. Portugal passou assim a concentrar 56% de toda a carteira de investimento angolano no exterior, que no total cresceu apenas 120 milhões, para 5.445 milhões de dólares — ou seja, quase todo o crescimento da carteira externa angolana teve como destino Portugal.
O BNA atribui esta subida a dois factores: o reinvestimento de lucros da Sonangol, obtidos em Angola e noutros países, e a compra de imóveis, num movimento que o Expansão descreve como a “terceira vaga migratória” de angolanos para Portugal.
Um relatório anterior do BNA, referente ao terceiro trimestre de 2025, já mostrava esta tendência: Portugal representava então 48% do stock de investimento angolano no estrangeiro (de um total de 5.405,7 milhões de dólares), mais 5 pontos percentuais do que no final de 2024. Os paraísos fiscais das Ilhas Maurícias e da Ilha de Man somavam 19%. O BNA só discrimina cinco destinos — Portugal (que inclui aoffshore da Madeira), Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Cabo Verde —, deixando por explicar 23% do investimento, catalogado apenas como “Outros”.
Portugal regista números diferentes, mas a mesma tendência
Do lado português, os dados do Banco de Portugal seguem uma metodologia distinta — medem em euros e usam o conceito de Investimento Direto Estrangeiro (IDE), em vez do stock de investimento externo reportado pelo BNA em dólares — mas apontam na mesma direção: o IDE de Angola em Portugal atingiu 4.333 milhões de euros no segundo trimestre de 2026, acima dos 3.927 milhões de euros do período homólogo de 2025. Os serviços concentram a maior fatia (3.755 milhões de euros), seguidos da construção (58,1 milhões) e da indústria transformadora (1,55 milhões).
Os angolanos mantêm-se também entre os principais compradores estrangeiros de casas em Portugal: em 2025 representaram 2,8% das transações habitacionais por estrangeiros, com o número de imóveis comprados a subir para cerca de 4.145.
Portugal também reforça o investimento em Angola
Em sentido inverso, o Governo português anunciou um reforço de 750 milhões de euros na linha de crédito de apoio a empresas portuguesas que investem em Angola, elevando o montante total disponível para 3.250 milhões de euros. Portugal continua a ser o segundo maior parceiro comercial de Angola, com cerca de 1.250 empresas portuguesas a operar no país.
O crescimento do investimento angolano em Portugal ocorre num momento em que Angola continua sob escrutínio internacional em matéria de branqueamento de capitais: o país cumpriu, até agora, apenas um dos seis compromissos assumidos junto do GAFI desde que entrou na lista cinzenta do organismo.