Angola apresenta CIVICOP nas Nações Unidas como modelo de reconciliação

 Angola apresenta CIVICOP nas Nações Unidas como modelo de reconciliação

Angola apresentou, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, a experiência da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) como um exemplo de consolidação da paz, numa sessão comemorativa do 20.º aniversário da Arquitectura de Consolidação da Paz da ONU.

O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, destacou o trabalho da CIVICOP na localização, identificação e entrega às famílias dos restos mortais de vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 1975 e 2002. O diplomata afirmou que o processo “permitiu a realização de cerimónias fúnebres condignas e constituiu um importante gesto de reconhecimento e respeito” para com os afectados, e que a trajectória angolana demonstra “a importância da apropriação nacional, do diálogo inclusivo e das parcerias sustentadas na prevenção de conflitos”.

Criada em 2019 pelo Presidente João Lourenço, a CIVICOP foi concebida como um mecanismo de reparação simbólica e de paz social em torno dos episódios mais traumáticos da guerra civil angolana. Os seus apoiantes consideram-na um passo inédito na história do país; os seus críticos questionam se serve sobretudo a narrativa do partido no poder.

Na mesma semana, durante o Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Crianças e Conflitos Armados, Francisco José da Cruz destacou os progressos globais na implementação desta agenda, nomeadamente a libertação de mais de 220 mil crianças anteriormente associadas a forças e grupos armados, manifestando preocupação com a persistência de graves violações em cenários de conflito, sobretudo em África.