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China avança, Ocidente recua no ranking das melhores universidades

No ranking que mede o prestígio das melhores universidades do mundo, a China sobe, os Estados Unidos descem — e o que está em causa não é apenas educação. É poder.

A edição de 2026 do QS World University Rankings, uma das classificações internacionais mais influentes do ensino superior, mostra uma tendência que se tem vindo a consolidar: as universidades chinesas ganham terreno sistematicamente sobre as suas congéneres britânicas e norte-americanas. A China continental passou a contar com 85 universidades entre as 1.504 classificadas — mais 13 do que no ano anterior —, e 61% delas subiram na tabela. Em sentido inverso, 65% das universidades norte-americanas perderam posições, e no Reino Unido a proporção foi de 40%.

O topo da classificação continua anglo-saxónico: o MIT lidera, seguido do Imperial College London, com Harvard, Oxford e Cambridge no grupo das dez melhores. A China continental tem apenas três universidades entre as 30 primeiras — contra quatro britânicas e onze norte-americanas. Mas a velocidade da ascensão chinesa é o dado que mais preocupa os ocidentais.

A diretora-executiva da QS, Jessica Turner, escolheu as palavras com cuidado: o Reino Unido “continua a ser uma das grandes potências mundiais do ensino superior”, mas “domínio não deve ser confundido com permanência”. “Manter a liderança dependerá da capacidade de continuar a atrair talento, gerar inovação e permanecer aberto ao mundo”, disse.

Aberto ao mundo — a frase é uma provocação indirecta aos Estados Unidos. Desde que a administração Trump iniciou uma campanha de revogação e recusa de vistos a estudantes estrangeiros, as novas inscrições internacionais nas universidades norte-americanas caíram 17% num único semestre. “Durante décadas, os Estados Unidos foram o destino por defeito dos estudantes e investigadores mais talentosos do mundo. Os dados mostram que essa vantagem está a tornar-se mais disputada”, afirmou Turner.

Do lado chinês, o crescimento não é acidental — é estratégico. Pequim tem investido maciçamente em áreas consideradas críticas para a competitividade nacional: ciência, engenharia e saúde. Os indicadores de investigação das universidades chinesas — patentes, publicações em revistas de prestígio, número de citações — cresceram de forma acelerada nos últimos anos. A formação de recursos humanos é tratada como questão de segurança nacional, não apenas de política educativa.

É nesse contexto que os rankings deixam de ser uma conversa académica para se tornarem um mapa da geopolítica do século XXI. A disputa entre China e Ocidente pelo domínio tecnológico e científico tem nas universidades uma das suas frentes mais silenciosas — e, a prazo, mais decisivas.

 

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