Mercados Financeiros

BNA alerta a banca: crescimento dos lucros não chega, é preciso ganhar a confiança dos depositantes

O Vice-Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Domingos Pedro, deixou um aviso claro ao sector bancário angolano: os recordes financeiros de 2025 não são suficientes se não forem acompanhados de uma governação ética, transparente e centrada nos cidadãos. “Precisamos reforçar a confiança no sistema financeiro, a confiança nos nossos depositantes que são, verdadeiramente, os donos dos bancos”, afirmou o dirigente do banco central.

A posição foi defendida no discurso de encerramento da vigésima edição do estudo “Banca em Análise 2026”, organizado pela Deloitte. Domingos Pedro reconheceu que os dados de 2025 apontam para um cenário de “impulso” — crescimento dos lucros, expansão do volume de negócios e aumento expressivo dos depósitos —, mas sublinhou que a leitura do desempenho do sector não se pode limitar a esses indicadores. “A sustentabilidade de qualquer banco já não é medida apenas pela dimensão dos seus activos, mas sim pela qualidade da sua governação e resiliência perante riscos emergentes”, disse.

Para garantir que o crescimento seja acompanhado de estabilidade, o BNA está a reforçar a fiscalização com novos instrumentos legais. O Aviso n.º 3/2026 impõe padrões mínimos exigentes para o governo societário e a cultura organizacional das instituições financeiras.

O Vice-Governador alertou ainda para os desafios colocados pela transformação digital. Com a entrada de Angola na era do Open Banking e da inteligência artificial, os mecanismos de defesa digital e o combate ao cibercrime tornaram-se “peças vitais” da agenda prudencial — uma prioridade crescente para proteger os clientes da banca nacional.

 

Relacionadas

PROPRIV reduz incumprimento financeiro em mais de 90%

O Programa de Privatizações (PROPRIV) registou uma redução de 90,40%

Acções da BODIVA valorizam 684% desde a entrada em bolsa

As acções da Bolsa de Dívida e Valores de Angola

Sonangol obrigada a vender acções do BCP para manter participação

Petrolífera angolana terá de alienar cerca de 56 milhões de