Mercado & Finanças

Dois terços das famílias angolanas sem capacidade de poupar, apesar da melhoria da confiança

Apenas 28% das famílias angolanas consideram ser possível poupar dinheiro na actual conjuntura económica. Os restantes 66% afirmam não ter capacidade para reservar parte dos seus rendimentos, segundo o Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC) referente ao primeiro trimestre de 2026, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A falta de fôlego financeiro reflecte-setambém nas intenções de consumo. Seis em cada dez inquiridos garantem, com certeza absoluta, que não pretendem adquirir um automóvel nos próximos dois anos. No sector da habitação, 40% não têm planos para comprar ou construir casa no mesmo período, contra apenas 11% que dizem ter a certeza de avançar com essa decisão.

Apesar do quadro de dificuldades, os consumidores mostram-se mais optimistasquanto ao futuro. O ICC registou uma melhoria no primeiro trimestre e manteve-se acima da média da série histórica iniciada em 2019 — sendo este o quinto trimestre consecutivo em que as famílias manifestam maior confiança relativamente à evolução futura das suas finanças. A percepção sobre a situação económica actual também melhorou, contrariando a ligeira estabilidade observada no trimestre anterior.

Os inquiridos antecipam ainda uma descida dos preços de bens e serviços nos próximos 12 meses e esperam uma redução do desemprego e um aumento das oportunidades de trabalho.

O contraste entre as dificuldades presentes e o optimismo face ao futuro define, assim, o retrato do consumidor angolano no arranque de 2026: sem margem para poupar hoje, mas com expectativas de melhoria para amanhã.

 

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