Trump confirmou a assinatura do memorando à margem do G7. Os especialistas reconhecem uma base mais sólida do que em negociações anteriores, mas apontam para as fragilidades de um acordo que exclui Israel e deixa o dossier nuclear para uma segunda fase.
Donald Trump confirmou esta segunda-feira, à margem da cimeira do G7 em França, que o acordo entre os Estados Unidos e o Irão foi assinado electronicamente pelo próprio, pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf. O Estreito de Ormuz, fechado desde o início do conflito, está “parcialmente aberto” e estará “totalmente aberto” na sexta-feira, data prevista para a ratificação formal.
Trump foi claro em dois pontos: o Irão não terá armas nucleares e não haverá alívio de sanções enquanto Teerão não cumprir o exigido. O texto do acordo só será divulgado publicamente “algum tempo depois de sexta-feira”. Quanto à cerimónia de assinatura, o Presidente americano foi deliberadamente vago: “Talvez eu participe, talvez não.”
O que o acordo prevê — e o que adia
As duas partes declararam o fim “imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”. Seguem-se 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano e o eventual alívio de sanções. Mas segundo a agência iraniana Fars, o memorando terá deixado cair duas exigências centrais dos EUA: restrições ao programa de mísseis e o fim do apoio do Irão ao eixo da resistência — pontos que Netanyahu considerou essenciais para qualquer acordo final.
Israel: o factor que pode fazer tudo colapsar
Israel não participou nas negociações e já deu sinais de que não se sente vinculado ao acordo. O ministro da Defesa israelita declarou que o exército não sairá do sul do Líbano e avisou que se o Irão atacar será atingido “com toda a força”. Trump não escondeu a frustração: “Porque é que o Bibi tinha de fazer um ataque de m****?”, terá dito ao Axios, depois de um ataque israelita a Beirute ter colocado em risco as negociações no domingo.