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Angola aprende a gerir com IA, mas a distância entre o que a tecnologia permite e o que as empresas absorvem ainda é grande

A Inovflow reuniu em Luanda gestores e líderes empresariais para discutir a integração de IA nos sistemas de gestão. O evento coincide com um momento de viragem: Angola obrigou as grandes empresas a adoptar facturação electrónica a partir de Janeiro, e o resto do tecido empresarial seguir-se-á em 2027. Em todo o continente, a corrida à digitalização acelerou — mas a falta de competências ameaça deixar muitas empresas para trás.

Luanda recebeu, pela primeira vez, um evento da Inovflow dedicado à integração de inteligência artificial nos sistemas de gestão empresarial. O encontro, realizado sob o lema “Inteligência Artificial ao Serviço da Gestão”, reuniu gestores e quadros de empresas angolanas para discutir uma mudança que já não é opcional: como passar de uma gestão assente na experiência e na intuição para uma gestão orientada por dados em tempo real.

O momento não é neutro. Angola implementou, em Janeiro de 2026, a obrigatoriedade de facturaçãoelectrónica para os grandes contribuintes, com extensão a todos os sujeitos passivos de IVA prevista para 2027. A obrigação de comunicação de dados em formato SAF-T coloca as empresas diante de uma pressão dupla: cumprir as exigências fiscais e, ao mesmo tempo, tirar partido dos dados que agora passam a gerar de forma sistemática.

É precisamente neste cruzamento que a Inovflow, empresa portuguesa com 15 anos de mercado e escritório em Luanda aberto há cerca de um ano, se posiciona. João Soares, Territory Manager para Angola da Cegid — o parceiro tecnológico que fornece a plataforma Primavera —, apresentou no evento casos concretos de aplicação de IA em contexto empresarial. O argumento central: as ferramentas já existem, a questão é com quem e como as implementar. “A pergunta já não é se as empresas devem agir”, disse Paulo Leite de Magalhães, CEO da Inovflow, na abertura do encontro.

O contexto africano reforça a urgência. O mercado global de IA integrada em sistemas ERP valia 5,67 mil milhões de dólares em 2025 e cresce a um ritmo que coloca África numa posição de escolha: adoptaragora ou perder vantagem competitiva. O McKinseyGlobal Institute estimou que a IA generativa pode gerar até 2,9 biliões de dólares de valor adicional em África ao longo da próxima década, e o Banco Africano de Desenvolvimento projecta um acréscimo de 1 bilião de dólares no PIB continental até 2035. As pequenas e médias empresas africanas que adoptaram soluções com IA registam ganhos de eficiência operacional na ordem dos 20%, segundo dados sectoriais.

Mas o optimismo tem um contraponto: 72% das empresas africanas identificam a falta de competências digitais como o principal obstáculo à adopção de tecnologia. Angola não é excepção, e esse défice transforma eventos como o da Inovflow em algo mais do que apresentações de produto — são, também, uma tentativa de reduzir a distância entre o que a tecnologia já permite e o que o mercado local ainda consegue absorver.

 

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