Mercado & Finanças

Angola desce para inflação de um dígito à vista depois de 22 meses de desaceleração consecutiva

Em Maio, a taxa fixou-se em 10,88% — menos de metade do que há um ano. O banco central tinha projectado 13,5% para todo o ano de 2026. Já foi batido em Março.

A inflação em Angola continua a ceder a um ritmo que surpreende as próprias projecções oficiais. Em Maio, a taxa homóloga fixou-se em 10,88%, o valor mais baixo desde Junho de 2023 e o 22.º mês consecutivo de desaceleração, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. A descida de 0,7 pontos percentuais face a Abril e de quase 10 pontos face ao mesmo mês do ano passado consolida uma das trajectórias de desinflação mais prolongadas da história económica recente do país.

Para perceber a dimensão do percurso, basta olhar para os últimos seis meses: em Dezembro de 2025, a inflação ainda estava nos 15,7%; em Janeiro de 2026 recuou para 14,56%; em Fevereiro chegou aos 13,35%; em Março caiu para 12,42% — já abaixo da meta de 13,5% que o Banco Nacional de Angola tinha definido para o ano inteiro; em Abril atingiu 11,58%; e em Maio chegou aos 10,88%. A inflação de um dígito, inexistente em Angola desde há vários anos, está agora ao alcance dos próximos meses.

A trajectória contrasta fortemente com o pico do ciclo inflacionista: em 2024, a taxa anual média rondou os 27,5%, reflexo das pressões cambiais e do choque nos preços alimentares que marcaram aquele período. A estabilização do kwanza tem sido apontada como o principal factor de moderação, ao reduzir o impacto das importações no nível geral de preços.

Os dados de Maio mostram, contudo, que a desinflação não é uniforme. Os transportes continuam a ser a categoria com maior variação homóloga, com 15,73%, seguidos da habitação, água, electricidade e combustíveis com 14,32% e da educação com 13,40%. A alimentação e bebidas não alcoólicas, embora com uma variação de 11,33%, mantém-se o principal motor da inflação global: sozinha, esta categoria contribuiu com 6,9 pontos percentuais para a variação total do índice, equivalente a 63,41% da subida registada.

A dispersão regional é igualmente significativa. Cabinda registou a maior variação provincial, com 16,56%, seguida de Malanje com 13,76% e Moxico com 12,45%. No extremo oposto, Huambo apresentou a taxa mais baixa do país, com 7,76%, já em território de inflação de um dígito, seguida de Cunene com 8,29% e Lunda Norte com 8,35% — diferenças que reflectem tanto a estrutura produtiva local como a conectividade às cadeias de abastecimento nacionais.

 

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