Internacional

Parem de disparar”: Trump exige cessar-fogo depois de Israel ignorar apelo e atacar o Irão

Pela primeira vez desde o cessar-fogo de Abril, os dois países trocaram ataques directos. A trégua resiste por agora — mas as condições que a puseram em causa não foram resolvidas.

O comando conjunto das forças armadas do Irão anunciou esta segunda-feira a suspensão das suas operações ofensivas contra Israel, horas depois de os dois países trocarem ataques directos que ameaçaram arrastar o Médio Oriente para uma nova guerra regional de grande escala. Teerão deixou, contudo, um aviso: se os “actos de agressão” israelitas no Líbano continuarem, a resposta será “mais abrangente e mais severa do que antes”.

A escalada teve início no domingo, quando Israel atacou os subúrbios do sul de Beirute — a primeira ofensiva deste tipo desde que os Estados Unidos anunciaram, na semana anterior, um plano de trégua para o Líbano — e atingiu também um complexo petroquímico em Mahshahr, no sudoeste do Irão, no primeiro ataque israelita a uma instalação energética iraniana desde o cessar-fogo de 8 de Abril. Em resposta, o Irão lançou mísseis balísticos contra Israel — a primeira vez que o fez directamente desde que a trégua entrou em vigor — com a Guarda Revolucionária Islâmica a classificar o ataque como “um aviso”. Os rebeldes Houthi do Iémen, apoiados por Teerão, anunciaram igualmente um ataque a Israel e declararam que embarcações associadas ao país voltariam a ser alvo no Mar Vermelho.

Trump pressiona, Israel ignora

A ofensiva israelita em Beirute e no Irão foi realizada em aparente desafio ao Presidente norte-americano Donald Trump, que transmitiu pessoalmente ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que não considerava necessária uma resposta adicional. Após os ataques, Trump escreveu nas redes sociais que “Israel e o Irão devem parar de disparar imediatamente” e que ambos os lados estavam “a trabalhar para um cessar-fogo imediato, com negociações de paz a prosseguir”.

Dois funcionários regionais confirmaram que esforços diplomáticos concertados estavam em curso esta segunda-feira para salvar a trégua entre o Irão e os Estados Unidos, cujas conversações tinham sido suspensas por Teerão em resposta às acçõesisraelitas no Líbano e em Gaza.

Um cessar-fogo que nunca foi sólido

O cessar-fogo de Abril — negociado com mediação do Paquistão — foi a conclusão da chamada “Guerra dos Doze Dias”, o conflito directo entre Israel e o Irão que marcou o primeiro semestre de 2026. Mas a trégua tem sido posta à prova de forma recorrente: Teerão suspendeu as conversações com Washington em Junho após acções israelitas no Líbano e em Gaza; o Hezbollah nunca aceitou o plano de cessar-fogo para o Líbano apresentado pelos Estados Unidos; e Israel continuou a realizar operações militares em Beirute, que considera dirigidas contra a sua principal aliança regional.

O episódio desta semana é o mais grave desde a assinatura da trégua e levanta uma questão que os diplomatas têm evitado responder directamente: até onde pode Israel ir sem que o Irão considere o acordo formalmente morto?

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