Mercado & Finanças

Nelson Carrinho quer o Brasil a liderar o desenvolvimento agrícola de África 

CEO do Grupo Carrinho, um dos maiores conglomerados agroindustriais de África, está no Brasil à procura de parcerias e lança desafio directo ao governo brasileiro: “O Brasil está hoje em posição de ser o país mais relevante no futuro da África subsaariana.”

Nelson Carrinho, CEO do Grupo Carrinho, está no Brasil com uma missão clara: trazer o conhecimento agrícola brasileiro para África. À frente de um dos maiores conglomerados agroindustriais do continente — com operações que movimentam mais de um milhão de toneladas de produtos por ano e uma trader suíça que deverá facturar mil milhões de dólares em 2025 — o empresário angolano reuniu-se com o ministro da Agricultura brasileiro, André de Paula, e com a ex-ministra Kátia Abreu, e lançou um desafio que vai além das parcerias comerciais convencionais.

O centro da proposta é a Embrapa. Carrinho quer que a empresa pública brasileira de investigação agropecuária alargue a sua presença em Angola e Moçambique, dois países que, na sua avaliação, têm potencial para se tornar o celeiro do continente africano. E vai mais longe: “A partir da nossa fundação, estamos dispostos a apoiar até financeiramente essa entrada da Embrapa em Angola para, verdadeiramente, criar o valor de que as populações lá necessitam.”

Para o empresário, a questão central não é o capital — é o conhecimento. “Acredito que a África precisa de mais conhecimento. Estamos num nível em que o conhecimento é determinante, não o capital”, afirmou em entrevista ao Times Brasil. E é precisamente no agronegócio tropical que o Brasil não tem rival: “No agronegócio tropical não há paralelo mundial. É o Brasil e mais ninguém.”

O Grupo Carrinho opera em toda a cadeia agroalimentar, da origem ao retalho, incluindo o modelo barter com agricultores e produtores familiares, industrialização da produção e distribuição ao consumidor final. “Conseguimos levar do campo à mesa do consumidor toda uma cadeia verticalmente integrada”, descreveu Carrinho. A partir desta estrutura, o grupo decidiu entrar na origem de commodities no Brasil, comprando directamente a produtores brasileiros para abastecer o mercado africano, com o objectivo de atingir os cinco mil milhões de dólares em volume de negócios nos próximos cinco anos.

A visão de Carrinho para a relação Brasil-África é estrutural e de longo prazo. “Entendo que o Brasil está hoje em posição de ser o país mais relevante no futuro da África subsaariana. Mas isso só será possível se o Brasil aceitar o seu papel de grande promotor para criar o agronegócio no continente africano”, disse o executivo, sublinhando que Angola e Moçambique reúnem condições ideais para acolher essa transferência de conhecimento — pelo clima, pelo solo e pelo idioma partilhado com o Brasil.

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