Mercado & Finanças

Bacia do Kwanza regressa ao mapa do investimento petrolífero internacional

Três décadas após o abandono da exploração terrestre, empresas da Nigéria, do Reino Unido e de França disputam blocos numa região com reservas estimadas em mais de 500 milhões de barris.

A Bacia do Kwanza, a primeira província petrolífera de Angola onde o crude foi descoberto nos anos 1950, voltou a atrair investimento internacional depois de três décadas de abandono da exploração terrestre. Empresas da Nigéria, do Reino Unido e de França disputam hoje blocos petrolíferos numa das regiões com maior potencial geológico do país, num movimento que reflecte a estratégia da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) de revitalizar bacias históricas e diversificar as fontes de produção além do offshore profundo.

A nigeriana Oando foi das primeiras a confirmar posição. A empresa detém uma participação operacional de 45% no Bloco KON 13, em parceria com a Effimax (30%) e a Sonangol (15%), numa entrada estratégica no sector petrolífero angolano anunciada em janeiro de 2025. Do Reino Unido, a Corcel consolidou uma participação maioritária de 90% no Bloco KON 16 — depois de ter aumentado progressivamente a sua posição de 35% para 55% e depois para 90% —, concluiu um levantamento sísmico 2D de 326 quilómetros e prevê a perfuração de um poço de exploração em 2026, o primeiro naquele bloco desde os anos 1960.

O potencial da bacia justifica o interesse. As reservas estimadas no offshore da Bacia do Kwanza ascendem a 400 milhões de barris, com produção prevista de 70 mil barris por dia em pleno funcionamento e primeiro petróleo antecipado para 2028. Somando a Bacia do Baixo Congo, o total disponível para exploração ultrapassa os 500 milhões de barris.

O regresso do investimento internacional à bacia terrestre do Kwanza enquadra-se num esforço mais amplo da ANPG, que em 2023 lançou a licitação de 12 blocos terrestres, oito dos quais na Bacia do Kwanza. O objectivo é garantir a sustentabilidade da produção nacional de petróleo a médio prazo e gerar receitas adicionais para o Estado angolano, num contexto em que a dependência do offshore profundo expõe o país à volatilidade dos custos de extracção e dos mercados internacionais.

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