A poucos quilómetros de Luanda, numa área de 2.000 hectares junto à costa atlântica, o Dubai Investments Park Angola começa a ganhar forma concreta. O projecto — o primeiro empreendimento internacional do grupo Dubai Investments Park fora dos Emirados Árabes Unidos — assegurou já 75 milhões de dólares em contratos e prepara o arranque efectivo da instalação de indústrias na Barra do Dande.
Os números mais recentes mostram 30 lotes industriais, três residenciais e um comercial já contratados, com investidores ligados aos sectores do ferro, aço, vidro, farmacêutica e químicos. Nove contratos estão formalizados. A primeira fase deverá arrancar com 7 megawatts de energia — mas há já um pedido de expansão para 200 MW, sinal de que o projecto foi concebido para uma escala industrial relevante.
O DIP Angola não é uma ideia nova. Em 2019, era descrito como um parque industrial e habitacional com previsão de 1.500 empregos directos e um investimento inicial de 150 milhões de dólares. Em 2024, o governo angolano confirmou a presença do grupo e referiu um investimento total de mil milhões de dólares para o empreendimento de uso misto — com componentes industrial, logística, residencial e comercial. Em 2026, pela primeira vez, há contratos fechados, loteamento avançado e preparação concreta para as primeiras instalações industriais.
A diferença entre anunciar e executar é, em Angola como em qualquer outro país, o verdadeiro teste. Mas a passagem de um projecto no papel para contratos assinados e infraestrutura em preparação representa um avanço operacional real, e é isso que distingue este momento dos anteriores.
Localização estratégica, infraestrutura por construir
A Barra do Dande tem atributos que justificam a aposta: proximidade à Estrada Nacional 100, dinâmica portuária emergente e localização entre Luanda e o Bengo, a província com maior crescimento industrial na região. O projecto prevê investimentos em energia, água, telecomunicações e acessos rodoviários — condições básicas sem as quais nenhuma fábrica funciona e que ainda estão por construir.
É aqui que está o maior risco. A capacidade de Angola transformar a promessa de infraestrutura em infraestrutura real, no ritmo anunciado, será determinante para atrair as indústrias contratadas — e para convencer outras a seguir.
O que está em jogo
Para Angola, a relevância do DIP Angola vai além dos números. Num país que quer reduzir a dependência das importações e industrializar a economia, um polo desta dimensão — com indústria pesada, química, farmacêutica e logística — pode ter impacto significativo em emprego, transferência de tecnologia e cadeias produtivas locais. O facto de ser o primeiro projeto internacional da Dubai Investments fora dos Emirados dá-lhe peso simbólico: não é um investidor à procura de uma experiência de baixo risco, é uma aposta deliberada em Angola como plataforma regional.