A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) encerrou 2025 com um resultado líquido de 258 milhões de kwanzas, abaixo do registado no ano anterior, penalizado pelo impacto negativo dos resultados não operacionais — nomeadamente diferenças de câmbio desfavoráveis e actualizações do Fundo de Abandono, que geraram resultados financeiros de 132 milhões de kwanzas.
O recuo nos lucros não impede, porém, uma leitura globalmente positiva do balanço. O activo total da ANPG cresceu 13,7% face a 2024, para cerca de 14,9 mil milhões de kwanzas — um aumento sustentado pela recuperação do resultado operacional e por uma reconfiguração significativa da estrutura do activo.
A mudança mais expressiva nas contas de 2025 está na composição do activo. O activo não corrente cresceu 137% — um salto que reflecte, sobretudo, o reforço das contas de garantia do Fundo de Abandono, onde os grupos empreiteiros depositam os montantes destinados ao desmantelamento futuro dos blocos petrolíferos e ao restauro ambiental no fim das concessões. É dinheiro que não pode ser usado para outros fins — mas que engorda o balanço e sinaliza a crescente maturidade do sector petrolífero angolano em termos de gestão de passivos ambientais.
Em sentido inverso, o activo corrente recuou 46%, essencialmente por via das disponibilidades, que passaram a ser registadas em rubricas distintas das utilizadas anteriormente — uma mudança contabilística associada à natureza específica das operações de abandono.
Capital próprio e passivo corrente
O capital próprio da ANPG aumentou 5,96%, fixando-se em cerca de 4,7 mil milhões de kwanzas, por incorporação de resultados de exercícios anteriores — um sinal de solidez patrimonial.
O dado que merece mais atenção é o passivo corrente, que saltou de 175,9 milhões para 1,4 mil milhões de kwanzas. O aumento resulta de um processo de conciliação de contas entre o Ministério das Finanças e a Sonangol que, à data de fecho das contas de 2025, ainda estava em curso — o que significa que o valor definitivo desta rubrica poderá ser ajustado quando o processo for concluído.
O balanço da ANPG em 2025 é o retrato de uma agência em transição: com um resultado líquido inferior ao do ano anterior, mas com um activo em crescimento, capital próprio reforçado e uma estrutura contabilística que começa a reflectir com mais rigor as obrigações futuras do sector petrolífero angolano. A questão que ficará em aberto até à conclusão da conciliação com o Ministério das Finanças é o impacto final no passivo corrente — e, por extensão, na posição financeira real da agência.