O conflito no Médio Oriente está a pressionar directamente as contas da TAAG. O administrador com pelouro comercial da companhia aérea angolana, Miguel Carneiro, admitiu esta semana que a exposição da transportadora ao custo do combustível pode duplicar em 2026 — de 132 para cerca de 264 milhões de dólares —, em resultado da variação do preço do Jet A-1 desencadeada pela guerra na região.
A revelação foi feita em conferência de imprensa dedicada aos desafios e perspectivas da TAAG para o ano em curso. O preço do Jet A-1 no mercado da África do Sul — referência relevante para a companhia — triplicou face a Dezembro de 2025, disse Carneiro. “Já actualizámos as tarifas a nível da carga, mas hoje sentimos uma pressão acrescida”, reconheceu.
Tarifas, rotas e monitorização diária
Questionado sobre se o impacto nos custos implicaria revisão dos preços dos bilhetes, o administrador não fechou a porta, mas foi cauteloso. “Estamos a monitorizar para ver o que repassamos ao cliente para manter a competitividade”, disse, sublinhando que a estratégia comercial da TAAG tem sido de posicionamento competitivo em termos de preço face a outras transportadoras.
Quanto a eventuais alterações ou suspensões de rotas, Carneiro admitiu que poderá haver suspensões caso se justifique — “como têm feito outras companhias” —, mas recusou antecipar decisões. “O negócio é dinâmico, estamos a monitorizar todos os dias.”
Do lado positivo, a TAAG tem apostado em aeronaves mais eficientes no consumo — os novos Boeing 787-9 Dreamliner e Airbus A220-300 —, o que permite poupar nos custos diretos com combustível e atenuar parcialmente o impacto da subida dos preços.
Guangzhou, Cabo Verde e a rota mais lucrativa
Apesar do ambiente adverso, a TAAG mantém as ambições de expansão para 2026: estão previstas novas ligações de Luanda a Guangzhou e a Cabo Verde. A rota para a China, porém, será abordada com “uma postura mais conservadora”, reconheceu Carneiro, face à pressão atual nos custos.
A rota mais lucrativa continua a ser a ligação a Lisboa. A de Guarulhos, em São Paulo, está em recuperação. No extremo oposto, a rota para Cabinda — subsidiada como serviço de utilidade pública, com bilhetes a 29 mil kwanzas — continua a ser a menos rentável da rede.