O volume de negociações na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) cresceu 64,89% no primeiro trimestre de 2026 face ao período homólogo, passando de 1,74 bilião de kwanzas para 2,87 biliões.
Os números, apurados com base nos relatórios da instituição, revelam um mercado que movimenta mais dinheiro — mas com menos transacções. Um paradoxo que tem explicação: são poucos negócios de grande dimensão, concentrados sobretudo em títulos de dívida pública, a puxar os valores para cima.
O crescimento foi impulsionado pela compra e venda de Obrigações do Tesouro, que dominaram de forma esmagadora o volume transacionado. As Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis lideraram com 1,97 bilião de kwanzas — 68,55% do total —, seguidas pelas Obrigações do Tesouro em Moeda Externa, com 698,52 mil milhões de kwanzas. As unidades de participação ficaram na margem, com um peso residual de 0,0002%.
O perfil do mercado é, assim, o de uma bolsa ainda muito dependente do Estado como emissor e da dívida soberana como produto. A diversificação para instrumentos privados e produtos de capital continua a ser o desafio estrutural da BODIVA.
Mais volume, menos negócios
O contraponto ao crescimento em valor está no número de transações. Face ao primeiro trimestre de 2025, o número de negócios realizados caiu 36,30%, para 11.192 — uma média mensal de cerca de 3.731 operações. O mercado de ações foi o segmento mais ativo em número de negócios, com 5.310 transacções, equivalentes a 47,44% do total, ainda que com peso menor em valor absoluto.
Entre os 21 membros de negociação da BODIVA, a ÁUREA consolidou a liderança no trimestre, negociando cerca de 1,47 bilião de kwanzas e conquistando uma quota de mercado de 26,66%. O BFA CM ficou em segundo lugar, com 12,31%, e a Prospectum em terceiro, com 680,69 mil milhões de kwanzas transaccionados.
A concentração no topo da tabela é significativa: os três primeiros operadores respondem por uma fatia considerável do mercado total — um sinal de que a BODIVA continua a ser um espaço dominado por um número reduzido de players institucionais de grande dimensão.