O Departamento de Defesa dos Estados Unidos estima que a guerra no Irão já custou cerca de 25 mil milhões de dólares e provocou 14 mortos entre militares norte-americanos, num clima de forte tensão entre o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e membros do Congresso.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) revelou que o conflito militar em curso com o Irão já representa um custo aproximado de 25 mil milhões de dólares, num cenário que combina elevados gastos operacionais, perdas humanas e crescente contestação política em Washington.
Os dados foram apresentados durante uma audição no Congresso que tinha como objetivo a análise do orçamento anual da Defesa norte-americana, estimado em cerca de 1,45 bilião de dólares. No entanto, a sessão acabou por ser dominada pela guerra no Irão e pelas críticas ao seu enquadramento político e estratégico.
Segundo o Pentágono, o conflito já provocou 14 mortos entre militares norte-americanos, enquanto os custos são atribuídos sobretudo ao consumo massivo de armamento, incluindo dezenas de milhares de bombas e mísseis utilizados nas operações militares.
O secretário da Defesa, Pete Hegseth, adoptou uma posição frontal perante os congressistas, criticando democratas e republicanos que têm questionado a condução da guerra, acusando-os de discursos “imprudentes e derrotistas”. As declarações marcaram um tom de confronto raro numa audiência parlamentar deste nível.
A sessão foi ainda marcada por vários momentos de tensão, com o presidente da comissão a interromper os trabalhos para pedir ao secretário que respeitasse o tempo de intervenção dos deputados. Do lado democrata, surgiram críticas duras à falta de clareza sobre os objetivos da guerra e sobre a estratégia de saída.
O deputado Adam Smith, principal democrata na comissão, alertou para o impacto crescente do conflito, sublinhando que mais de uma dezena de países já foram indirectamente envolvidos e questionando: “Para onde está isto a ir?”
Outro ponto sensível foi o controlo do estratégico Estreito de Ormuz, essencial para o transporte global de petróleo, cuja instabilidade tem agravado os receios nos mercados energéticos internacionais.
O Pentágono indicou ainda que as forças iranianas estariam mais enfraquecidas após dois meses de conflito, embora sem apresentar uma estratégia clara para o fim das operações militares. Hegseth recusou-se a adiantar prazos ou custos totais, argumentando que tais informações não devem ser divulgadas ao adversário.
A dimensão política do conflito intensificou-se também pela ausência de autorização formal do Congresso para a operação militar, bem como pelas críticas à gestão interna do Pentágono e às recentes decisões de recursos humanos na hierarquia militar.
Do lado republicano, embora vários deputados tenham apoiado a operação, surgiram também alertas sobre o impacto político da guerra e a necessidade de garantir apoio bipartidário para futuras decisões de financiamento militar.
Analistas consideram que o conflito poderá tornar-se um ponto de viragem na política externa norte-americana, sobretudo se os custos continuarem a escalar e se não houver uma definição clara de objetivos estratégicos ou de um plano de saída.
Num contexto de elevada volatilidade geopolítica, os Estados Unidos enfrentam agora não apenas os custos financeiros e militares da guerra, mas também um debate interno crescente sobre a sua legitimidade e sustentabilidade.