O Governo vai constituir reservas estratégicas de bens essenciais, incluindo alimentos, combustíveis e medicamentos, para mitigar os impactos do conflito no Médio Oriente nas cadeias de abastecimento e nos preços internacionais, avançou esta semana o ministro de Estado para a Coordenação Económica.
Estas medidas de mitigação foram decididas na primeira reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, disse José de Lima Massano aos jornalistas no final do encontro.
De acordo com o governante, serão constituídos stocks de segurança alimentar e energética, sendo também reforçado o armazenamento de medicamentos e de equipamento hospitalar consumível, particularmente os derivados do petróleo, como seringas e outros materiais produzidos com plástico.
“Mas também os medicamentos em si, porque o que se está a colocar é que, com essa disrupção na cadeia logística, teremos dificuldades acrescidas”, referiu.
José de Lima Massano recordou que, com os actuais condicionamentos à circulação de embarcações, já se assiste a alterações no transporte de produtos refinados e nas cadeias logísticas.
“Estamos com uma preocupação relevante no que diz respeito aos fertilizantes, porque isso terá impacto direto no esforço que Angola vem fazendo de reforço da sua segurança alimentar”, observou.
Segundo o ministro, os fertilizantes registam aumentos de preços superiores a 50%, temendo-se que esta tendência se mantenha, podendo mesmo verificar-se escassez nos mercados internacionais.
“A importação de mercadorias vai tornar-se também mais cara, porque o transporte — e aquilo a que já assistimos em relação aos seguros — teve um aumento expressivo. Há casos em que o seguro para o transporte de mercadorias sobe mais de 200%. Estes custos acabam por ser transferidos para os produtos”, sublinhou.
A situação estende-se, segundo o governante, não apenas aos alimentos, mas também a equipamentos e matérias-primas importadas.
“No domínio da segurança energética, enfrentamos um cenário de preocupação acrescida, devido ao aumento do preço dos refinados, impulsionado pela subida do preço do crude. Além disso, algumas refinarias já começam a condicionar a exportação de produtos refinados, o que constitui um desafio adicional para Angola”, afirmou.
Apesar de ser produtor de petróleo, Angola “depende ainda fortemente da importação de refinados e de outros produtos”, salientou.
O país vai igualmente antecipar a importação de químicos para o tratamento de água destinada ao consumo humano e acelerar, dentro do previsto no Orçamento Geral do Estado para 2026, a aquisição de fertilizantes para a campanha agrícola 2026/2027.
“Quando falamos de fertilizantes, referimo-nos também a sementes, adubos e outros insumos, para não ficarmos excessivamente expostos a vulnerabilidades externas”, explicou.
No que respeita aos combustíveis, o Governo prevê reservas para um mínimo de 90 dias, correspondente à capacidade do Terminal Oceânico da Barra do Dande.
José de Lima Massano reafirmou ainda o compromisso das autoridades angolanas com a melhoria do ambiente de negócios, destacando que o actual contexto pode abrir oportunidades, nomeadamente no sector do turismo.
“Os dados disponíveis indicam que este conflito no Médio Oriente poderá ter um impacto negativo na região na ordem dos 50 biliões de dólares, em investimento e turismo. Com o que Angola está a desenvolver, criam-se oportunidades para captar parte desses recursos”, concluiu.