O preço do ouro está a recuperar nos mercados internacionais, beneficiando de sinais de possível distensão no conflito no Médio Oriente, apesar de persistirem incertezas quanto à evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão.
O metal precioso avança cerca de 0,95%, para 4.764,82 dólares por onça, depois de ter registado perdas superiores a 2% na sessão anterior. A subida ocorre num contexto de maior optimismo dos investidores, impulsionado pelo prolongamento do cessar-fogo e por indicações de que Washington poderá estar disposto a levantar o bloqueio no estratégico estreito de Ormuz.
Apesar da tradicional valorização do ouro em períodos de instabilidade geopolítica, o actual conflito tem tido efeitos contraditórios. A disrupção nas rotas energéticas tem impulsionado os preços do petróleo e do gás natural, alimentando pressões inflacionistas e reforçando a expectactiva de políticas monetárias mais restritivas por parte dos bancos centrais — um factor que tende a penalizar activos sem rendimento como o ouro.
Desde o início da guerra, o metal já acumulou uma queda de cerca de 10%, reflectindo, segundo analistas, um mercado que já incorporou grande parte do risco geopolítico. “Os investidores exigem agora uma escalada clara ou uma mudança significativa no quadro macroeconómico para reavaliar os preços”, explicou Ahmad Assiri, da Pepperstone Group, citado pela Bloomberg.
O ouro está também a ser condicionado pela evolução da política monetária norte-americana. Kevin Warsh, indicado pela administração de Donald Trump para liderar a Reserva Federal, afirmou no Senado que pretende manter a independência da instituição, num momento em que decorre um processo envolvendo o atual presidente, Jerome Powell.
As tensões entre a Casa Branca e a Reserva Federal foram, aliás, um dos factores que impulsionaram a forte valorização do ouro no ano passado, reforçando o seu papel como ativo de refúgio em períodos de incerteza política e institucional.
Com os mercados atentos à evolução do conflito e às decisões de política monetária, o ouro deverá continuar a oscilar entre o seu papel tradicional de protecção contra o risco e a pressão exercida por taxas de juro potencialmente mais elevadas.