O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, em Hannover, o papel dos biocombustíveis na transição energética e criticou as políticas ambientais da União Europeia, acusando o bloco de manter uma “resistência ideológica” a estas soluções.
“Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais que na hora de a Europa superar a sua resistência ideológica aos biocombustíveis”, afirmou Lula, sublinhando que estas fontes são “baratas, confiáveis e eficientes” para descarbonizar o sector dos transportes.
As declarações foram feitas numa conferência de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que concordou com a necessidade de não excluir tecnologias com potencial futuro.
Ao longo do dia, Lula reiterou as críticas às normas europeias que, segundo disse, criam barreiras à entrada dos biocombustíveis brasileiros no mercado europeu. O chefe de Estado rejeitou também a ideia de que a produção de biocombustíveis comprometa a segurança alimentar ou contribua para o desmatamento.
“Não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos ou ocupar a Amazónia por causa dos biocombustíveis”, afirmou, classificando essas preocupações como “mitologia”.
O Presidente brasileiro destacou ainda que o etanol de cana-de-açúcar emite significativamente menos dióxido de carbono do que a gasolina e defendeu que o país pode tornar-se “uma espécie de Arábia Saudita dos combustíveis renováveis”.
As declarações surgem num contexto de subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente. O Governo brasileiro anunciou recentemente o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que deverá passar de 30% para 32% ainda no primeiro semestre deste ano.
A medida dá continuidade à política de reforço dos biocombustíveis no país, no âmbito da lei do “Combustível do Futuro”, que prevê o aumento gradual da incorporação de fontes renováveis nos combustíveis fósseis.