Os preços do petróleo registam ligeiras variações esta semana, num contexto de expectativa em torno de uma possível retoma das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, após o bloqueio do estreito de Ormuz ter agravado as tensões no Médio Oriente.
O Brent, referência para a Europa, soma 0,14%, fixando-se nos 95,06 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, avança 0,37%, para 91,63 dólares por barril.
No mercado do gás natural, a tendência é de subida, com os preços na Europa a valorizarem 1,29%, para 41,94 euros por megawatt-hora.
A evolução dos preços surge numa altura em que há sinais de um possível prolongamento do cessar-fogo entre Washington e Teerão, que terminaria na próxima terça-feira. Segundo fontes citadas pela Bloomberg, as duas partes estarão a ponderar estender a trégua por mais duas semanas, criando espaço para retomar negociações com vista ao fim do conflito.
Apesar dos sinais de distensão, o estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio ao tráfego iraniano, enquanto o Irão continua a restringir a circulação da maioria dos navios, prolongando os efeitos da crise energética global.
O conflito, que se aproxima da sua sétima semana, tem sido um dos principais fatores de volatilidade nos mercados de energia, pressionando os preços do crude e gerando incerteza quanto ao abastecimento global.
Embora os preços do petróleo estejam actualmente abaixo dos picos registados nas primeiras semanas da guerra, continuam cerca de um terço acima dos níveis pré-conflito. Ainda assim, analistas consideram que os mercados financeiros não estão a reflectir totalmente a realidade no terreno.
Kaes Van’t Hof, director executivo da Diamondback Energy, defende que a curva de futuros não espelha a verdadeira dimensão da crise. Já Warren Patterson sublinha que os mercados estão a incorporar uma possível redução das tensões, mas alerta para riscos de nova escalada.
Também responsáveis financeiros internacionais mantêm reservas quanto à evolução do conflito. Em Washington, à margem de reuniões económicas, a ministra das Finanças da Nova Zelândia, Nicola Willis, afirmou que a guerra “tornou o mundo inteiro mais pobre”.
Apesar de algum alívio nas tensões, os analistas avisam que qualquer cessar-fogo deverá ser frágil, tendo em conta as divergências entre os Estados Unidos e o Irão, o que mantém em aberto o risco de novas oscilações nos mercados energéticos.