A circulação rodoviária na província de Benguela foi interrompida após a subida súbita do caudal do rio Cavaco, que submergiu a principal ponte de ligação entre vários pontos da cidade, isolando comunidades e agravando o cenário de destruição provocado pelas cheias do último fim de semana.
A força da água, resultante do rompimento de um dique, arrastou infraestruturas, habitações e animais, transformando uma zona anteriormente marcada pela circulação ferroviária e actividade económica num campo de lama, carris retorcidos e pilares expostos. A ponte rodoviária foi completamente coberta pela água por volta das 10h00 de domingo, levando as autoridades a interditar a passagem por razões de segurança.
Testemunhos no local descrevem momentos de pânico. “Por volta das 08h00 houve uma corrente forte de água. Foi subindo minuto a minuto e, às 09h00, já estava tudo inundado”, relatou um morador do bairro do Capiandalo, surpreendido pela rapidez da inundação. Segundo o residente, a população inicialmente pensou tratar-se apenas de chuva, mas rapidamente percebeu que o rio tinha transbordado, obrigando à fuga para zonas mais elevadas.
A interrupção da circulação rodoviária agravou o isolamento das populações afectadas, dificultando operações de socorro e o acesso a bens essenciais. Nos bairros mais atingidos, como Calomanga, repetem-se os relatos de casas destruídas, famílias desalojadas e vítimas mortais ainda por contabilizar.
Além da rede viária, também a infraestrutura ferroviária sofreu danos significativos. A Lobito Atlantic Railway suspendeu a circulação no Corredor do Lobito, após estragos nas pontes sobre os rios Cavaco e Halo, afectando uma das principais rotas de transporte de minério da região.
A empresa indica que decorrem avaliações técnicas para apurar a extensão dos danos, sublinhando que a prioridade é garantir a segurança e restabelecer as condições operacionais. Para já, não há previsão para a retoma da circulação, quer rodoviária quer ferroviária.
No terreno, permanece um cenário de devastação: onde antes havia circulação de comboios e até um parque com animais, resta agora lama e destroços. As autoridades continuam a avaliar os prejuízos, enquanto as populações tentam recuperar o possível num contexto ainda marcado pela incerteza.