Internacional

Guerra no Médio Oriente apaga 12 biliões de dólares das bolsas mundiais em apenas um mês

A escalada do conflito no Médio Oriente já provocou perdas de mais de 12 biliões de dólares nos mercados globais, numa das maiores quedas desde o choque da Covid-19, enquanto os preços da energia e das matérias-primas disparam, aumentando o risco de uma crise financeira mundial.

Em apenas um mês de guerra no Médio Oriente, as bolsas mundiais registaram uma das maiores quedas dos últimos anos, com o índice global MSCI a recuar 7,3%, o equivalente a mais de um terço do choque negativo registado ao longo de todo o ano de 2022, no auge da pandemia e da guerra na Ucrânia.

De acordo com dados do índice Bloomberg World Exchange Market Capitalization, a capitalização bolsista global encolheu em 12,2 biliões de dólares em Março de 2026, reflectindo o impacto imediato da instabilidade geopolítica nos mercados financeiros.

A Ásia-Pacífico foi a região mais afectada, com uma queda de 13,4%, destacando-se perdas acentuadas em mercados como Egipto, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Indonésia e Índia. Já a China mostrou maior resiliência, com a bolsa de Xangai a cair 5,6%, próxima da descida registada pelo índice norte-americano Dow Jones.

Na Europa, o índice Euronext recuou cerca de 8%, enquanto o PSI, em Lisboa, apresentou a menor queda da União Europeia, com uma descida de 1,5%.

No Médio Oriente, os mercados do Egipto, Emirados Árabes Unidos e Bahrain lideraram as perdas, enquanto Omã e Arábia Saudita contrariaram a tendência, beneficiando de rotas alternativas de exportação de petróleo que minimizaram o impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz.

Energia e matérias-primas disparam

Em paralelo, os preços das matérias-primas registaram uma forte subida. O índice Rogers avançou 20% em Março, enquanto o sector energético disparou 52,5%, impulsionado pela escalada dos preços do petróleo e do gás.

O crude russo dos Urais destacou-se, subindo para quase 116 dólares por barril, acima do Brent, que fechou o mês nos 102 dólares. A procura alternativa por parte de países asiáticos, face às restrições no Golfo, contribuiu para este movimento, beneficiando directamente o orçamento russo.

Também os custos logísticos aumentaram significativamente, com os fretes de transporte de contentores a subirem 37%. Na Europa, o preço do gás natural disparou 52% em Março.

Risco de crise global

Especialistas alertam para o risco de agravamento da situação. Segundo Marie-Hélène Caillot, do Global Europe Anticipation Bulletin, a crise poderá evoluir para um “desastre financeiro global” caso o conflito se prolongue, sobretudo se envolver directamente os Estados Unidos e escalar noutras frentes, como a Europa de Leste.

Nos Estados Unidos, os efeitos já se fazem sentir no consumo, com aumentos acentuados em bens essenciais, como ovos e combustíveis, pressionando a inflação e colocando pressão adicional sobre a administração de Donald Trump.

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