A aliança petrolífera OPEP+ anunciou neste fim de semana que aumentará a produção de petróleo bruto em mais 206 mil barris por dia, sem mencionar o ataque contra o Irão, que mantém os mercados energéticos em alerta.
Sgundo o comunicado publicado no ‘site’ da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com sede em Viena, este aumento de produção tem em conta as perspectivas económicas globais estáveis e as baixas reservas de petróleo. Não há qualquer menção ao que se passa no Médio Oriente, após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.
A decisão foi tomada numa breve teleconferência realizada entre os ministros da energia e do petróleo de Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
Este aumento de produção é superior aos 137 mil barris por dia adicionais que os especialistas previam antes do fim de semana. No entanto, não se espera que impeça uma subida dos preços do petróleo.
“É um sinal, não uma solução. Se o petróleo não puder transitar pelo Estreito de Ormuz, 206 mil barris por dia adicionais pouco contribuem para aliviar o mercado”, afirmou Jorge Leon, analista da Rystad Energy, citado pela agência France Presse.
Com o conflito regional está em risco o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo.
O preço do barril de petróleo Brent, para entrega em Abril, já tinha incorporado um prémio de risco antes do conflito, atingindo mais de 72 dólares na passada sexta-feira, e pode subir acentuadamente com a reabertura dos mercados no início da semana.
Neste momento, o risco logístico e de trânsito terá mais impacto no preço do petróleo do que a capacidade de produção, afirmam os analistas.
No sábado, segundo a Força Naval da União Europeia, a Guarda Revolucionária do Irão avisou via rádio de que “não é autorizada” a passagem pelo estreito de Ormuz, rota essencial do comércio mundial de petróleo.
Leon considerou que infraestruturas alternativas no Médio Oriente podem ser utilizadas para contornar os fluxos que transitam pelo Estreito de Ormuz, mas que a compensação será apenas parcial, estimando uma perda efectiva de oito a 10 milhões de barris.
O Estreito de Ormuz (uma estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico) é muito importante para o tráfego de petróleo, mas também de gás natural liquefeito.
Quanto ao Irão, é um dos membros fundadores da OPEP (em 1960) e, em janeiro passado, produziu aproximadamente 3,1 milhões de barris por dia, segundo fontes independentes, cerca de 11% da produção total dos 12 membros do grupo.
Dentro da aliança OPEP+, o Irão era o quarto maior produtor até 2025, atrás de Rússia, Arábia Saudita e Iraque. Já nos últimos meses foi ultrapassado pelos Emirados Árabes Unidos.